Sindicato marca greve geral contra reforma trabalhista de Milei
Central de trabalhadores paralisa o país no dia da votação na Câmara; projeto reduz indenizações e estende jornada para 12 horas
A Confederação Geral do Trabalho (CGT) da Argentina anunciou nesta segunda-feira, 16, uma greve geral para o dia em que a Câmara dos Deputados votar a reforma trabalhista proposta pelo presidente Javier Milei. A paralisação marca a quarta mobilização contra as políticas do governo ultraliberal e promete interromper os transportes terrestre, aéreo e fluvial de passageiros em todo o país.
O projeto de lei, aprovado pelo Senado na última quarta-feira por 42 votos a 30, altera diversos pontos da legislação trabalhista argentina. Entre as mudanças, redução das indenizações por demissão, autorização para pagamentos em bens ou serviços, extensão da jornada de trabalho para 12 horas e restrições ao direito de greve.
A proposta deve ser analisada pelos deputados nesta semana ou na próxima. O governo trabalha para evitar alterações no texto que obriguem o retorno ao Senado, o que atrasaria a aprovação antes do discurso de Milei em 1º de março, data de abertura das sessões parlamentares ordinárias.
Reação sindical e promessa de judicialização
Cristian Jerónimo, secretário-geral da CGT, afirmou em entrevista à Rádio 10 no domingo que existe “consenso coletivo para a realização de uma greve nacional”. A mobilização, segundo ele, expressa o descontentamento “não apenas com este projeto de lei, mas também com o rumo político e econômico deste governo hoje na Argentina”.
Os sindicatos classificam as alterações como “regressivas” e “inconstitucionais”. A CGT promete contestar a reforma na Justiça caso seja aprovada. A convocação oficial será formalizada na quarta-feira, ao meio-dia, em coletiva de imprensa.
A União Geral de Associações de Trabalhadores do Transporte (UGATT) declarou nas redes sociais que garantirá “uma paralisação total do transporte de passageiros”. “No dia em que a reforma trabalhista for debatida na Câmara dos Deputados, não haverá transporte”, informou a entidade.
Divergência sobre ponto polêmico
Um artigo específico do projeto tem gerado polêmica: a redução do salário pela metade em casos de afastamento por doença. A senadora Patricia Bullrich, presidente da Comissão do Trabalho no Congresso, havia declarado que o governo não aceitaria alterações no texto vindo do Senado. No domingo, porém, admitiu que considera flexibilizar esse dispositivo.
Bullrich reuniu-se com Milei nesta segunda-feira, na residência presidencial em Olivos, para discutir a tramitação da proposta.
Governo Milei se explica
O governo defende que as mudanças ajudarão a reduzir o emprego informal, que atinge mais de 40% do mercado de trabalho argentino. Segundo a gestão Milei, a diminuição de encargos sobre os empregadores estimulará a criação de vagas formais.
A greve acontece em meio a sinais de deterioração econômica. Desde que Milei assumiu o cargo em dezembro de 2023, 300 mil empregos foram eliminados e 21 mil empresas fecharam as portas, segundo dados do setor industrial. O país registra recessão, queda na atividade industrial e redução do consumo.
Na última quarta-feira, milhares de pessoas protestaram em frente ao Congresso durante a votação no Senado. A manifestação terminou em confrontos com a polícia e resultou em cerca de 30 prisões.
A greve anterior, realizada em 10 de abril de 2025, teve participação limitada depois que os sindicatos de transporte recuaram sob pressão do Ministério do Trabalho.
Os comentários não representam a opinião do site; a responsabilidade pelo conteúdo postado é do autor da mensagem.
Comentários (0)