Sheinbaum anuncia reforma eleitoral e promete corte de gastos no México
Projeto a ser enviado ao Congresso prevê mudanças no financiamento partidário e na eleição de deputados; oposição vê risco para a democracia
A presidente do México, Claudia Sheinbaum, anunciou nesta quarta-feira, 25, que enviará nos próximos dias ao Congresso um projeto de reforma da legislação eleitoral do país. A proposta prevê redução de 25% nos gastos públicos com processos eleitorais e redistribuição dos recursos para saúde, educação e programas sociais.
Segundo Pablo Gómez, chefe da comissão responsável pela reforma, o México gastou US$ 3,55 bilhões em sistemas eleitorais ao longo de 2024.
A presidente afirmou que as mudanças respondem a demandas da população, e que não há intenção de concentrar poder: “Não queremos um partido estatal ou um partido único”, disse Sheinbaum. “São reformas simples, muito racionais, que respondem às demandas do povo”.
O que muda com a proposta
Entre as principais alterações, o projeto determina que deputados plurinominais – atualmente designados pelas cúpulas partidárias com base na proporção de votos obtida por cada legenda – passem a disputar mandatos pelo voto direto da população. Esse grupo corresponde a 200 dos 500 representantes da Câmara e a 32 dos 128 senadores.
A proposta também limita o tempo de televisão e rádio por emissora durante campanhas, corta repasses financeiros aos partidos, impõe teto salarial a parlamentares e funcionários eleitorais, e exige identificação para conteúdo produzido por inteligência artificial, além de proibir o uso de robôs automatizados nas plataformas digitais.
A reeleição consecutiva ficaria vedada a partir de 2030. Paralelamente, o texto simplifica os procedimentos de votação para mexicanos residentes no exterior.
Oposição vê risco à democracia
Para ser aprovado, o projeto precisa do apoio de dois terços de cada Casa do Congresso. O Morena, partido de Sheinbaum, depende da adesão de seus aliados, o Partido do Trabalho e o Partido Verde – ambos contrários a pontos do texto. A principal sigla oposicionista, o PRI, afirma que a proposta eliminaria a representação partidária e comprometeria o sistema democrático do país.
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