Sete guepardos mumificados são encontrados no deserto saudita
Pesquisadores que exploram cavernas no norte da Arábia Saudita vêm revelando indícios sobre a história da fauna local
Pesquisadores que exploram cavernas no norte da Arábia Saudita vêm revelando indícios sobre a história da fauna local e possíveis caminhos para a conservação no século XXI, ao examinarem ossadas de grandes mamíferos preservadas em ambientes subterrâneos secos que funcionam como cápsulas do tempo.
O que revelam os guepardos mumificados na Arábia Saudita
Entre 2022 e 2023, uma equipe científica examinou mais de mil cavernas e dolinas em busca de restos de grandes animais.
A descoberta de guepardos naturalmente mumificados chamou a atenção por indicar que esses felinos já ocuparam ambientes hoje considerados potenciais para estratégias de “rewilding”.
As carcaças foram encontradas em excelente estado de conservação graças ao ar seco e ao isolamento das cavernas.
Esses registros ampliam o conhecimento sobre a distribuição histórica do guepardo, espécie que hoje ocupa apenas uma fração de sua área original na África e na Ásia.

Como foi a história do guepardo na Península Arábica
Registros históricos e relatos de caçadores indicam que o guepardo já esteve presente em amplas áreas da África, do Oriente Médio e da Ásia meridional.
Na Península Arábica, avistamentos se estenderam até o século XX, mas o animal é considerado extinto na natureza na região desde a década de 1970.
Datações mostram que alguns ossos sauditas têm cerca de 4 mil anos, enquanto múmias mais recentes datam de poucos séculos.
Isso indica ocupação prolongada e sugere que a península atuou como área de conexão entre populações africanas e asiáticas do felino.
Quais tipos de guepardo habitaram a região
Os pesquisadores extraíram DNA antigo dos guepardos mumificados para identificar suas linhagens.
A espécie Acinonyx jubatus é hoje dividida em quatro subespécies reconhecidas, três africanas e uma asiática, historicamente associada ao Irã e áreas vizinhas.
Um dos indivíduos mostrou maior proximidade genética com o guepardo asiático (A. j. venaticus).
Outros, incluindo um exemplar antigo, se aproximam do guepardo do noroeste africano (A. j. hecki), sugerindo coexistência de linhagens africanas e asiáticas em ambientes semelhantes aos desertos sauditas atuais.
Reintroduzir guepardos na Arábia Saudita é viável
A discussão sobre reintrodução gira em torno de adequação de habitat, disponibilidade de presas e origem dos animais.
A Arábia Saudita tem reintroduzido grandes herbívoros, como órix-árabe, gazelas e íbex, restabelecendo a base de presas para um grande predador.
Especialistas avaliam cenários de conservação que buscam reduzir riscos às populações remanescentes de guepardos e estruturar um programa geneticamente sustentável:
- Estabelecer população de segurança com indivíduos de áreas africanas parceiras.
- Utilizar número limitado de animais para minimizar impacto nas populações de origem.
- Planejar trocas controladas e corredores genéticos para evitar endogamia.

O que a descoberta indica para o futuro da conservação
Os guepardos mumificados ajudam a reconstruir a história genética da espécie, mostrando conexões antigas entre populações africanas e asiáticas em áreas agora cogitadas para reintrodução.
Isso oferece base mais sólida para decidir qual linhagem pode se adaptar melhor ao clima, à vegetação e às presas atuais.
Cisternas e cavernas podem guardar dados cruciais sobre a distribuição passada de grandes carnívoros, orientando projetos em que o guepardo volte a exercer seu papel ecológico em desertos e savanas.
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