Risco-país da Argentina atinge menor nível em oito anos
O indicador financeiro recuou para menos de 500 pontos-base, o que possibilita a retomada do governo aos mercados globais de crédito
O risco-país da Argentina registrou 499 pontos-base nesta terça-feira, 27, o menor patamar em quase oito anos. O índice rompeu a resistência de 550 pontos observada em períodos anteriores e mantém tendência de queda.
Essa redução ocorre em meio à compra sistemática de divisas pelo Banco Central da República Argentina (BCRA). A valorização dos títulos soberanos e a condução política da gestão de Javier Milei também sustentam o desempenho dos indicadores.
Fatores de estabilidade financeira
A autoridade monetária argentina somou US$ 1 bilhão em compras de dólares apenas no mês de janeiro. Com o ingresso de US$ 39 milhões na última sessão, as reservas internacionais brutas atingiram US$ 45,7 bilhões.
O cenário recebe suporte da emissão de títulos de dívida corporativa e das taxas de juros elevadas em pesos. Outro fator determinante é a queda na procura de dólares pelo setor privado.
A corretora Cohen indica que a permanência do risco-país próximo aos 500 pontos é um elemento necessário para o planejamento econômico. A acumulação de reservas pelo BCRA servirá para reduzir as taxas em eventuais operações externas.
Comparativo e projeções de mercado
O nível atual do risco argentino aproxima-se dos índices registrados pelo Equador. A trajetória atual sugere que o indicador pode buscar a marca de 450 pontos-base no curto prazo.
Juan Manuel Franco, economista-chefe do Grupo SBS, analisou o contexto de crédito internacional. Segundo o especialista, a movimentação de outros países da região serve como referência para o governo argentino.
“Embora a taxa dos títulos dos Estados Unidos de dez anos seja maior do que a vigente na última emissão internacional da Argentina (2018), o fato de o Equador ter ido recentemente ao mercado internacional para emitir leva o mercado a se perguntar quando poderá ser a vez da Argentina”, afirmou Franco.
O economista detalhou os custos de captação de países com perfis semelhantes. O acompanhamento dessas taxas é parte da estratégia para definir o momento de uma nova emissão.
“As taxas em que o Equador captou – um crédito que vem sendo atingido por diversos fatores de risco nos últimos anos – foram de 8,75% e 9,25% para títulos de 8 e 13 anos, respectivamente. Portanto, não parece absurdo pensar que a Argentina possa fazer isso, embora sigamos de perto os movimentos do mercado”, completou.
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