Regulamentação do aluguel é rejeitada e proprietários não poderão disponibilizar suas casas para turismo
O caso ilustra o desafio de conciliar moradia acessível com a importância econômica do turismo urbano.
O debate em torno das moradias de aluguel para o uso turístico em Barcelona ganhou força após o anúncio de que, até 2028, as licenças das cerca de 10 mil unidades desse tipo serão extintas, afetando diretamente plataformas como Airbnb e levantando dúvidas sobre emprego, renda, habitação e o modelo de turismo na capital catalã.
Qual é o impacto econômico dos pisos do turismo em Barcelona
Estudos recentes tentam medir o peso econômico desses apartamentos. Um relatório da PwC estima que, em 2023, esse segmento movimentou quase 2 bilhões de euros, somando impactos diretos, indiretos e induzidos na economia local, com forte conexão ao PIB turístico da cidade.
A análise indica que a eliminação dos pisos turísticos pode atingir uma cadeia extensa de atividades e empregos.
Cada euro gerado em aluguel de curta duração resultaria em cerca de 3,5 euros circulando na economia, especialmente em bares, restaurantes, comércio e serviços de entretenimento em áreas mais visitadas.
Quais setores se beneficiam dos pisos turísticos
O relatório detalha os setores que ganham com esse tipo de hospedagem.
A restauração aparece com impacto indireto e induzido superior a 300 milhões de euros, enquanto o comércio varejista registra centenas de milhões em movimentação atribuída ao gasto de visitantes que preferem apartamentos a hotéis.
O segmento de lazer e cultura é apontado como um dos mais dependentes desse fluxo, tanto pela venda de ingressos quanto pelo consumo em equipamentos culturais nos bairros turísticos.
Esses gastos ajudam a sustentar uma rede de pequenos negócios locais e a programação cultural da cidade.
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Os pisos de turismo aumentam os preços dos aluguéis residenciais em Barcelona
Um ponto central do debate é se os pisos de uso turístico encarecem os aluguéis residenciais.
O estudo da PwC sustenta que o efeito seria limitado: essas moradias representariam cerca de 1,2% do estoque total de habitação em Barcelona, proporção considerada insuficiente para explicar sozinha a alta superior a 70% entre 2014 e 2023.
Distritos como Eixample e Sant Martí teriam visto os aluguéis subir mesmo com número estável ou em queda de apartamentos turísticos.
Sondagens indicam ainda que muitos proprietários venderiam os imóveis ou mudariam de uso, em vez de migrar diretamente para aluguel de longo prazo, o que reduziria o impacto sobre a oferta residencial.
Quais são as possíveis consequências da eliminação dos pisos turísticos
A retirada gradual dessas licenças até 2028 pode pressionar a capacidade hoteleira, reduzir a oferta de camas turísticas e encarecer o pernoite, sobretudo para famílias e grupos que preferem apartamentos. Isso pode afetar a atratividade de Barcelona para grandes eventos, feiras e congressos.
Como os pisos turísticos representariam quase 40% da oferta total de hospedagem, a redução pode repercutir em diversos setores.
Entre os principais grupos potencialmente afetados destacam-se:
Consequências da eliminação dos pisos turísticos
O fim dos pisos turísticos tende a gerar efeitos imediatos em setores-chave e reflexos indiretos no comércio urbano, além de criar um cenário de transição para moradores e proprietários.
- Hospedagem
- Plataformas digitais
- Serviços de limpeza
- Alimentação fora de casa
- Transporte local
- Comércio de rua
- Cultura e entretenimento
- Mudança no uso dos imóveis
- Possível venda de propriedades
- Incerteza sobre impacto nos aluguéis
Quais são os desafios para a política de habitação e o turismo urbano
O caso de Barcelona ilustra o desafio de conciliar moradia acessível com a importância econômica do turismo urbano.
Analistas apontam que o aumento dos aluguéis decorre sobretudo do descompasso entre oferta e demanda e da falta de políticas habitacionais capazes de ampliar o número de unidades para residentes permanentes.
Ganham espaço alternativas combinadas, como estímulos à construção de novas moradias, programas de aluguel social e regulação mais fina do aluguel de temporada.
Até 2028, outras cidades acompanharão a experiência de Barcelona para avaliar se a eliminação dos pisos turísticos trará alívio real ao mercado de habitação ou se os custos econômicos e turísticos pesarão mais na busca por equilíbrio.
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