Primeira-dama da França chama ativistas de “vadias estúpidas”
Brigitte Macron critica feministas que invadiram show de comediante acusado de agressão sexual; caso foi arquivado por falta de provas
Um vídeo que circulou na segunda-feira, 8, mostra a primeira-dama da França, Brigitte Macron, referindo-se a ativistas feministas como “vadias estúpidas”, após a interrupção de uma apresentação do humorista Ary Abittan.
O ator de 51 anos havia sido alvo de uma acusação de estupro em 2021. Contudo, as investigações foram encerradas dois anos depois, quando as autoridades francesas decidiram arquivar o processo devido à insuficiência de evidências.
O espetáculo de Abittan, no sábado, 6, em Paris, foi interrompido por ativistas mascaradas que gritavam “Abittan estuprador”.
No dia seguinte ao protesto, a esposa do presidente Emmanuel Macron compareceu ao show com sua filha, Tiphaine Auzière. Antes de o comediante subir ao palco, eles conversaram, conforme divulgado pelo site Public.
Abittan disse estar com medo da situação. A primeira-dama respondeu em tom de brincadeira, utilizando uma expressão vulgar no idioma francês: “Se houver algumas vadias estúpidas, nós as expulsaremos”. A equipe de Brigitte Macron disse que o comentário era “uma crítica ao método radical empregado por aquelas que interromperam o espetáculo”.
O coletivo feminista #NousToutes (“Todas nós”), responsável pela ação, transformou o insulto em uma hashtag popular. Muitas publicações foram feitas nas redes sociais em sinal de apoio às manifestantes.
França é palco de guerras culturais e comportamentais
O incidente envolvendo Abittan e as manifestantes ocorre em um momento em que a França lida com várias denúncias de estupro e violência sexual direcionadas a personalidades culturais reconhecidas. Um exemplo é o ator e diretor Gérard Depardieu, uma figura do cinema de 76 anos. Ele foi sentenciado em maio por agredir sexualmente duas mulheres durante uma filmagem em 2021, embora negue as acusações.
Em 2023, o presidente Macron defendeu o artista, expressando admiração e sugerindo que Depardieu era vítima de uma “caça às bruxas”. O presidente também enfatizou a importância da presunção de inocência.
Além dos casos no meio artístico, a história de Gisèle Pelicot também gerou comoção no país europeu. Seu marido, Dominique Pelicot, recebeu a pena máxima de 20 anos de reclusão. Ele foi condenado por drogar a esposa repetidamente para estuprá-la e permitir que outros homens a violentassem, registrando os atos em vídeo.
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