Presidente de Israel concederá indulto a Netanyahu?
Isaac Herzog garantiu que analisará pedido considerando o "bem do Estado e da sociedade"
O presidente de Israel, Isaac Herzog, afirmou nesta segunda-feira, 1, que levará em consideração o “o bem do Estado e da sociedade” ao analisar o pedido de indulto ao primeiro-ministro Benjamin Netanyahu.
No domingo, 30, Netanyahu protocolou formalmente o pedido a Herzog para que receba indulto. Ele responde a acusações de suborno, fraude e abuso de confiança em três processos.
Herzog disse que o assunto “será tratado da maneira mais apropriada e rigorosa”.
“Só considerarei o bem do Estado e da sociedade israelense, e diante de meus olhos estarão apenas o Estado de Israel e seus interesse”, disse o presidente em comunicado.
A assessoria do presidente já havia afirmado que o pedido se tratava de algo “extraordinário que traz implicações importantes”.
“Interesse nacional”
Em vídeo divulgado no X, Netanyahu afirmou que o gesto atende ao “interesse nacional”.
O premiê alegou ainda que está cada vez mais claro que “crimes graves” teriam sido cometidos na condução do caso contra ele.
Netanyahu acrescentou que o encerramento imediato do processo “ajudaria a acalmar os ânimos e promover uma ampla reconciliação, algo de que nosso país precisa desesperadamente”.
“Israel enfrenta enormes desafios, e ao lado deles grandes oportunidades. Para repelir as ameaças e aproveitar as oportunidades, é necessária a unidade nacional”, argumenta ele, afirmando que a continuação do julgamento “nos divide por dentro. Ela fomenta divisões e aprofunda as fissuras. Estou certo, assim como muitos outros no país, de que o fim imediato do julgamento ajudaria muito a acalmar os ânimos e promover uma ampla reconciliação — algo de que nosso país precisa desesperadamente.”
Netanyahu cita Trump
No vídeo, Netanyahu citou o apelo de Trump pedindo um “perdão total” a ele.
Em 12 de novembro, o republicano publicou um longo texto em defesa do aliado israelense.
Ele destacou a liderança do primeiro-ministro na guerra contra o grupo terrorista Hamas e o Irã.
“Por meio deste, peço que conceda o perdão total a Benjamin Netanyahu, que foi um primeiro-ministro formidável e decisivo em tempos de guerra e que agora está conduzindo Israel a um período de paz, o qual inclui meu trabalho contínuo com importantes líderes do Oriente Médio para adicionar muitos outros países aos Acordos de Abraão, que estão mudando o mundo. O primeiro-ministro Netanyahu defendeu Israel com firmeza diante de adversários fortes e grandes dificuldades, e sua atenção não pode ser desviada desnecessariamente“, escreveu.
Trump disse respeitar o sistema judiciário israelense, mas classificou as acusações contra Netanyahu como “perseguição política e injustificada”.
“Embora eu respeite absolutamente a independência do sistema judiciário israelense e suas exigências, acredito que este caso contra Bibi, que lutou ao meu lado por muito tempo, inclusive contra o temível adversário de Israel, o Irã, é uma perseguição política e injustificada”, afirma.
“É hora de permitir que Bibi se una a Israel, concedendo-lhe o perdão e pondo fim à guerra jurídica de uma vez por todas.”
Indulto
De acordo com a legislação israelense, o presidente tem o poder “de conceder indulto a criminosos e reduzir ou alterar suas penas”.
O Supremo Tribunal de Justiça, porém, já decidiu que o presidente pode conceder indulto antes da condenação apenas em casos de interesse público.
O indulto também precisaria ser solicitado pelo acusado ou por um parente próximo.
Presentes
Em 2020, Netanyahu começou a ser julgado e se declarou inocente em todos os casos.
O primeiro envolve presentes e brindes valiosos recebidos pelo então ministro das Comunicações e por sua esposa, Sarah, dos amigos abastados Arnon Milchan e James Packer.
Eles presentaram Netanyahu com caixas de charutos e garrafas de champanhe caros, além de joias para Sarah.
O premiê foi acusado de ter auxiliado Milchan em assuntos ligados aos interesses comerciais do amigo.
Jornal
O segundo caso trata de conversas gravadas que Netanyahu teve com Arnon “Noni” Mozes, presidente e editor do Yedioth Ahronoth, um dos maiores jornais em circulação em Israel e visto como crítico ao primeiro-ministro.
Eles debateram a possibilidade de diminuir a circulação do jornal concorrente Israel Hayom, visto como simpático a Netanyahu e pertencente a seu amigo Sheldon Adelson, em troca da contratação de jornalistas que direcionariam o Yedioth a ser mais favorável a ele.
Mozes foi acusado de tentativa de suborno.
Relação com grupo Bezeg
O terceiro caso se refere ao relacionamento do conglomerado de telecomunicações Bezeq com o seu regulador, o Ministério da Comunicações, então chefiado por Netanyahu.
A acusação envolve falsificação de documentos que teriam levado a transações comerciais de interesse do proprietário do Bezeq, Shaul Elovitch, em troca de relatórios favoráveis de Netanyahu para o Walla!, portal popular de notícias, compras on-line e outros serviços.
Netanyahu nega todas as acusações.
Leia mais: Trump pede “indulto total” a Netanyahu
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