Peixe pré-histórico é documentado pela primeira vez em vídeo
Em uma encosta submarina do norte das Molucas, na Indonésia, mergulhadores técnicos registraram em vídeo um raro exemplar
Em uma encosta submarina do norte das Molucas, na Indonésia, mergulhadores técnicos registraram em vídeo um raro exemplar do celacanto-de-Sulawesi (Latimeria menadoensis) nadando em grande profundidade, diante de paredões rochosos e recifes pouco explorados.
Celacanto-de-Sulawesi e sua importância como peixe de linhagem antiga
O celacanto-de-Sulawesi pertence ao grupo dos peixes de nadadeiras lobadas, parentes distantes dos primeiros vertebrados que desenvolveram membros.
Linhagens próximas remontam a mais de 400 milhões de anos, o que reforça seu valor para estudos sobre a evolução dos vertebrados.
Embora seja frequentemente associado ao termo “fóssil vivo”, o celacanto atual é um representante moderno de uma linha evolutiva antiga que continuou se adaptando ao ambiente profundo.
A espécie indonésia foi reconhecida apenas no fim do século 20, a partir de peixes encontrados na região de Sulawesi.
The coelacanth wasn’t supposed to exist anymore.
— Azhar\ ازهر\AJ (@rahzamdy) December 26, 2025
In 2025, marine biologists in Indonesia photographed the “living fossil” swimming in the Maluku Archipelago. First wild image ever captured.
70 million years after it supposedly vanished, it’s still down there. Alive.
Source:… pic.twitter.com/R3re22LwZx
Principais adaptações do celacanto-de-Sulawesi às grandes profundidades
O corpo do celacanto-de-Sulawesi exibe características ajustadas à vida em águas profundas, como nado lento e estável e uso eficiente de energia em locais com alimento escasso.
As grandes dimensões dos olhos e a retina adaptada a baixa luminosidade favorecem a visão na zona mesofótica.
Na região frontal da cabeça, o peixe possui um órgão eletrossensorial associado à detecção de sinais elétricos no ambiente, auxiliando na localização de presas.
Essas características se somam a um corpo robusto, com indivíduos que podem superar 1 metro de comprimento.
- Nadadeiras lobadas com movimentos alternados e precisos;
- Olhos grandes, ajustados a ambientes pouco iluminados;
- Estrutura eletrossensorial na cabeça;
- Nado lento e estável para economizar energia;
- Corpo robusto, comum em peixes de águas profundas.
Distribuição e habitat do celacanto indonésio em encostas profundas
O celacanto indonésio costuma ocupar encostas rochosas íngremes, recifes profundos e formações associadas a vulcanismo submarino, principalmente entre 150 e 200 metros de profundidade.
Nessa faixa, ainda há um pouco de luz solar, mas insuficiente para recifes rasos tradicionais.
Nas Molucas, o animal foi observado em uma parede rochosa com recifes profundos, água entre 19 e 20 °C e boa visibilidade, aparecendo em área relativamente aberta diante de um mergulhador.
Isso sugere uso combinado de fendas, saliências e trechos expostos ao longo do dia.

Como foi realizado o mergulho técnico que registrou o celacanto
Para alcançar a profundidade do avistamento, a equipe usou mergulho técnico com rebreathers de circuito fechado e mistura de gases planejada para grandes profundidades.
O procedimento envolveu cálculos detalhados de tempo de fundo, paradas de descompressão e reservas de segurança.
Durante a descida, foram registrados parâmetros ambientais e características do relevo da encosta.
O contato com o celacanto ocorreu em dois dias próximos, sempre por poucos minutos, permitindo observar o padrão de nado, postura das nadadeiras e comportamento de cautelosa distância em relação aos mergulhadores.
Ameaças, vulnerabilidade e pesquisas em andamento com o celacanto indonésio
Classificado como Vulnerável na Lista Vermelha da IUCN, o celacanto indonésio apresenta crescimento lento, maturidade sexual tardia e ciclos reprodutivos longos, o que dificulta a recuperação populacional.
A espécie é afetada por captura acidental em redes profundas, degradação de encostas e potenciais impactos de futuras explorações minerais.
Novos registros nas Molucas impulsionam estudos sobre conectividade entre populações, com destaque para o uso de DNA ambiental (eDNA) para detectar presença da espécie em diferentes pontos.
Órgãos de gestão marinha na Indonésia avaliam incluir recifes e encostas profundas em áreas protegidas e manter em sigilo coordenadas exatas de avistamentos para reduzir pressões humanas diretas.
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