Pegadas de 23 mil anos revelam descobertas sobre a chegada do homem às Américas
As pegadas humanas encontradas no parque nacional de White Sands, no Novo México, revolucionaram o debate sobre a chegada dos humanos às Américas.
As pegadas humanas encontradas no parque nacional de White Sands, no Novo México, revolucionaram o debate sobre a chegada dos humanos às Américas.
Datadas entre 23 mil e 21 mil anos atrás, elas indicam presença humana em pleno auge da última Era do Gelo, obrigando a revisão de modelos tradicionais de povoamento do continente.
Quando os humanos chegaram às Américas
A discussão sobre a chegada dos humanos às Américas envolve evidências arqueológicas e genéticas.
Por muito tempo, defendeu-se que a ocupação começou há cerca de 16 mil anos, com base em sítios já bem estudados e associados ao fim das grandes geleiras.
As pegadas de White Sands antecipam esse marco em pelo menos 7 mil anos. Isso força novas hipóteses sobre rotas migratórias, possíveis tentativas de colonização fracassadas e adaptações a ambientes glaciais severos.

O que revelam as pegadas humanas de White Sands
As marcas foram preservadas em antigas margens lamacentas de um lago raso e datadas por radiocarbono em materiais orgânicos acima e abaixo das camadas com pegadas.
Os resultados apontam idades entre 21 mil e 23 mil anos, em pleno auge da glaciação.
Pelo tamanho e formato das impressões, grande parte teria sido feita por crianças e adolescentes, com adultos presentes ocasionalmente.
Isso sugere atividades cotidianas ligadas à caça, coleta de recursos e circulação em grupo.
- Local: Parque Nacional de White Sands, sudoeste dos EUA.
- Idade: entre 21.000 e 23.000 anos.
- Método: datação por radiocarbono em sedimentos e restos orgânicos.
- Autores prováveis: principalmente jovens acompanhados por alguns adultos.
Por que há controvérsia sobre a presença tão antiga
A controvérsia decorre, em grande parte, do tipo de evidência disponível. Ferramentas de pedra ou ossos podem ser confundidos com produtos de processos naturais, o que leva muitos especialistas a contestar propostas de datas muito antigas.
Pegadas humanas têm menor margem de erro interpretativa, mas a datação é o ponto sensível.
Em White Sands, o efeito reservatório foi testado comparando amostras aquáticas e terrestres, que mostraram idades semelhantes e reforçaram a confiabilidade dos resultados.
23,000 years ago humans walked across what is now White Sands National Park in southern New Mexico and their footprints are still there…
— ArchaeoHistories (@histories_arch) January 1, 2026
Preserved in layers of gypsum rich sediment these tracks belong to adults and children moving across a wet Ice Age lakebed while mammoths… pic.twitter.com/VsYCQwySvh
Como as novas datas se relacionam com a genética
Estudos de DNA sugerem separação entre ancestrais de nativos americanos e populações asiáticas por volta de 15 a 16 mil anos.
Isso parece conflitar com pegadas de mais de 20 mil anos, indicando cenários mais complexos de migração.
Uma hipótese é que grupos pioneiros tenham sido substituídos por ondas posteriores, deixando pouco registro genético atual.
Assim, parte das primeiras ocupações pode ter desaparecido sem descendentes diretos entre populações nativas recentes.
Que outros sítios antigos ajudam a reconstruir o povoamento
Outros sítios pré-Clovis reforçam a ideia de ocupação anterior ao modelo clássico. Entre eles estão Monte Verde (Chile, 14,5 mil anos), Buttermilk Creek (Texas, 15,5 mil anos) e Cooper’s Ferry (Idaho, 16 mil anos).
Combinando pegadas, ferramentas, sedimentos, ossos e DNA, pesquisadores veem o povoamento das Américas como um processo prolongado e múltiplo, marcado por ondas migratórias, recuos diante de climas extremos e possíveis extinções locais.
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