Cientistas encontram uma nova espécie animal com mais de 100 milhões de anos na Espanha
A identificação de Cretevania orgonomecorum amplia o catálogo de fósseis do Cretáceo espanhol e ajuda a entender a diversidade de ambientes em Cantábria.
A recente identificação de uma nova espécie de vespa fóssil em Cantábria recoloca o ámbar de El Soplao no centro das atenções científicas.
O inseto, preservado há cerca de 105 milhões de anos, oferece detalhes sobre a evolução das vespas evanídeas, auxilia na reconstituição dos ecossistemas do Cretáceo europeu e reforça El Soplao como um dos principais sítios de ámbar do mundo.
O que torna a nova vespa fóssil de El Soplao uma descoberta relevante
A palavra-chave central deste estudo é vespa fóssil, pois define o tipo de organismo analisado e seu papel na paleontologia.
Em El Soplao, o exemplar foi identificado como uma nova espécie do gênero Cretevania, batizada de Cretevania orgonomecorum, com traços únicos nas antenas, no tórax e na venação das asas.
Essa combinação de características não corresponde a nenhuma espécie descrita anteriormente, indicando um ramo evolutivo pouco conhecido entre as avispas evanídeas.
O tamanho relativamente maior da vespa e seus detalhes anatômicos ajudam a reposicionar parte da árvore evolutiva desse grupo de insetos.
La avispa fósil del yacimiento de ámbar de El Soplao que vivió hace 105 millones de años ayer regresó a la actualidad. ¡Gracias a @sextaNoticias por demostrar que la Paleontología también los espacios de noticias! #LaGeologíaEsImportante pic.twitter.com/pp0MqTd2yA
— Instituto Geológico y Minero de España (@IGME1849) December 5, 2025
Qual é o papel das vespas evanídeas como fósseis-guia
As vespas evanídeas são importantes fósseis-guia, pois possuem ampla distribuição geográfica e boa diferenciação morfológica. Sua presença em determinados depósitos ajuda a estimar a idade das rochas e a correlacionar camadas de diferentes regiões.
No Cretáceo médio, quando viveu Cretevania orgonomecorum, a Europa era formada por ilhas cercadas por mares tropicais.
A Península Ibérica configurava um conjunto de ambientes isolados, nos quais insetos, plantas e outros organismos se diversificavam rapidamente, favorecendo registros fósseis variados.
Por que o âmbar de El Soplao é essencial para estudar organismos antigos
O sítio de El Soplao é reconhecido pela qualidade excepcional de seu ámbar, capaz de preservar tecidos moles, pigmentos e estruturas delicadas.
Diferentemente de muitos depósitos, onde apenas ossos ou conchas são comuns, o ámbar mantém detalhes finos de insetos e outros organismos associados.
Para estudar essa vespa fóssil, foram utilizados métodos como microscopia confocal e reconstrução em 3D, revelando elementos invisíveis a olho nu.
Essas técnicas permitem comparar o fósseis de El Soplao com espécies atuais e com materiais de outros países, como China e Mianmar.
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🐝 En ámbar de El Soplao (Cantabria) se ha descrito Cretevania orgonomecorum, una nueva avispa fósil del Cretácico (100 Ma).
— Museo Geominero (@MuseoGeominero) December 2, 2025
Destaca por su gran tamaño y por revelar rasgos anatómicos clave que afinan la taxonomía del género Cretevania. pic.twitter.com/FB58CXsNlZ
Como a descoberta contribui para reconstituir os ecossistemas do Cretáceo
A identificação de Cretevania orgonomecorum amplia o catálogo de fósseis do Cretáceo espanhol e ajuda a entender a diversidade de ambientes em Cantábria.
A região combinava áreas costeiras, florestas produtoras de resina e zonas marinhas próximas, favorecendo preservação e diversidade biológica.
Com base nesse material, a pesquisa contribui em três frentes principais da paleontologia, conectando dados evolutivos, ecológicos e estratigráficos:
- Datação e correlação de camadas: uso das vespas como referência cronológica entre diferentes depósitos.
- Estudo da evolução dos insetos: revisão de classificações internas do gênero Cretevania.
- Reconstrução de ecossistemas antigos: integração de vestígios de pólen, plantas, fungos e outros insetos.
Por que El Soplao permanece um tesouro para fósseis em ámbar
Até 2025, El Soplao reúne mais de 1.500 inclusões em ámbar, entre insetos, plantas, fungos e fragmentos de vertebrados. Mais de 30 espécies já foram descritas, e a expectativa é que esse número cresça com novas análises e técnicas avançadas de imagem.
Localizado entre Herrerías, Valdáliga e Rionansa, o sítio surgiu a partir de atividades de mineração no início do século XX e hoje combina função científica e turística.
Cada nova inclusão estudada, como a vespa fóssil recém-descrita, oferece uma janela detalhada para as relações entre animais, plantas e microrganismos que moldaram os ecossistemas do Cretáceo.
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