Organismo que viveu há mais de 400 milhões de anos pode ser forma de vida desconhecida
Essa combinação de gigantismo e estrutura interna incomum torna o grupo especialmente difícil de posicionar na classificação biológica.
Há centenas de milhões de anos, quando a superfície continental ainda era coberta por vegetação rasteira e ambientes encharcados, surgiram estruturas gigantes que destoavam completamente desse cenário: os prototaxites.
Esses organismos são colunas grossas com metros de altura que dominavam paisagens semelhantes a pântanos e intrigam cientistas até hoje por não se encaixarem claramente em nenhum grupo de seres vivos atual.
O que são os prototaxites e por que são tão enigmáticos
Os prototaxites são fósseis em forma de troncos cilíndricos, alguns com até 8 metros de altura e cerca de 1 metro de largura, que se erguiam acima de plantas terrestres então muito pequenas.
Não há registros de folhas, flores, frutos ou galhos, dificultando classificá-los como árvores no sentido moderno.
Ao microscópio, seu interior mostra inúmeros tubos finos em redes intrincadas, lembrando hifas de fungos, mas com padrões de ramificação e reconexão que não coincidem exatamente com fungos atuais ou fósseis.
Essa combinação de gigantismo e estrutura interna incomum torna o grupo especialmente difícil de posicionar na classificação biológica.
Before trees existed…
— MoonSeeker004 (@MoonSeeker004) January 9, 2026
Earth had 8-meter-tall fungi.
Prototaxites ruled the land 400 million years ago—
towering fungal skyscrapers in a world that still looked alien.pic.twitter.com/WSm7Cvhjim
Como os estudos de fósseis de prototaxites revelam sua possível origem
Pesquisas recentes analisaram Prototaxites taiti preservados no sílex de Rhynie, na Escócia, um dos mais antigos registros de ecossistemas terrestres.
Esse depósito conserva plantas primitivas, fungos, pequenos animais e microrganismos, permitindo comparações diretas entre diferentes organismos da mesma época.
Comparando prototaxites com fungos do mesmo sítio, cientistas observaram diferenças na organização dos tubos internos e na composição química: ausência clara de quitina e indícios de compostos semelhantes à lignina.
Isso sustenta a hipótese de uma linhagem eucariótica distinta, hoje extinta, sem parentes vivos claramente reconhecíveis.
Loron et al. (2026-01, Science Advances)(オープンアクセス open access)
— Hoyaboya (@Hoyaboya11) January 21, 2026
「Prototaxitesの化石は,構造的にも化学的にも絶滅・現生の菌類とは異なっている」
Prototaxites fossils are structurally and chemically distinct from extinct and extant Fungi pic.twitter.com/rjMrT4ZjGF
Qual é a importância desse organismo para entender a evolução da vida
A vida atual é organizada em três domínios (bactérias, arqueias e eucariotos), com reinos bem definidos entre os eucariotos.
O caso do prototaxites sugere que podem ter existido linhagens multicelulares complexas que desapareceram sem deixar descendentes identificáveis, revelando que a árvore da vida perdeu galhos inteiros ao longo do tempo.
Compreender onde o prototaxites se encaixa ajuda a reconstruir os primeiros ambientes terrestres com organismos de grande porte e a avaliar seu papel ecológico em ecossistemas ainda em formação.
Quais funções ecológicas os prototaxites podem ter desempenhado
Estudos buscam entender como esses gigantes interagiam com o ambiente e outras formas de vida, em um cenário de solos instáveis e vegetação ainda simples.
A partir de evidências fósseis, surgem hipóteses sobre sua participação na dinâmica dos primeiros ecossistemas terrestres.
- Função ecológica: possível atuação na decomposição e reciclagem de nutrientes.
- Interações: uso como substrato, abrigo ou alimento por microrganismos e pequenos animais.
- Impacto ambiental: possível contribuição para estabilizar solos e influenciar umidade local.
Quais questões permanecem em aberto?
Apesar de avanços, muitas dúvidas permanecem sobre esses organismos, como a posição exata na árvore da vida e os mecanismos que permitiam sustentar colunas tão altas em terrenos úmidos.
Também se investigam as condições que favoreceram seu surgimento e posterior desaparecimento.
Técnicas modernas, como análise molecular de fósseis e uso de aprendizado de máquina em grandes bancos de dados paleontológicos, têm renovado o estudo de coleções antigas.
Os prototaxites ilustram como formas de vida pouco familiares ampliam nossa compreensão da história biológica da Terra e de sua diversidade perdida.
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