O Reino Unido contra-ataca o Google
Consulta pública propõe que veículos de comunicação decidam sobre a coleta de dados e exige transparência nos critérios de classificação de resultados
A Autoridade de Competição e Mercados (CMA) do Reino Unido apresentou propostas para modificar a dinâmica entre o Google e os produtores de conteúdo jornalístico. O plano estabelece que empresas de mídia possam vetar a utilização de seus artigos na elaboração de resumos gerados por inteligência artificial.
O órgão regulador quer reequilibrar a concorrência. Hoje, a gigante tecnológica detém mais de 90% das pesquisas realizadas no território britânico. Sarah Cardell, chefe executiva da CMA, afirmou que as medidas buscam autonomia para o mercado.
“Essas ações dariam às empresas e aos consumidores do Reino Unido mais opções e controle sobre como interagem com os serviços de pesquisa do Google, além de abrir maiores oportunidades para inovação em todo o setor de tecnologia do Reino Unido e na economia em geral. Elas também proporcionam um acordo mais justo para os editores de conteúdo, especialmente as organizações de notícias, sobre como seu conteúdo é usado pelo Google”, declarou a executiva.
Impacto na audiência digital
A implementação de ferramentas de inteligência artificial pelo buscador provocou mudanças no fluxo de visitantes para sites externos. Dados globais indicam uma redução de 15% no tráfego de pesquisas entre meados de 2024 e o mesmo período de 2025.
O volume de buscas que não resultam em cliques nos sites de origem subiu de 56% para 69% no intervalo de um ano. Veículos de imprensa nos Estados Unidos registraram perdas de até 55% em seus acessos orgânicos entre abril de 2022 e o mesmo mês de 2025.
Pesquisas indicam que apenas 1% dos internautas utilizam os links inseridos nos resumos automatizados da plataforma. O fenômeno, apelidado de “Google Zero”, gera apreensão entre gestores de mídia, que preveem quedas acentuadas na audiência futura.
Diretrizes e transparência
As normas sugeridas obrigariam o Google a comprovar que a ordem de exibição dos resultados ocorre de maneira isenta. O projeto também exige que a empresa facilite a portabilidade de dados e a troca do motor de busca padrão pelos usuários.
Em sua defesa, o Google argumenta que as transformações tecnológicas alteraram o mercado publicitário global. A companhia sustenta que o setor de anúncios em páginas abertas enfrenta um período de retração estrutural.
“A IA está remodelando a tecnologia de publicidade em todos os níveis; formatos de anúncios não abertos na web, como Connected TV e mídia de varejo, estão explodindo em popularidade; e os concorrentes do Google estão direcionando seus investimentos para essas novas áreas de crescimento. O fato é que, hoje, a web aberta já está em rápido declínio”, registrou a empresa em processo judicial.
O Google esclareceu que a afirmação se restringe ao mercado de publicidade e não à existência da rede mundial de computadores como um todo. A consulta pública sobre as novas regras no Reino Unido permanece disponível para contribuições até o dia 25 de fevereiro.
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