O que o Irã sai perdendo com queda de Maduro
Queda de Maduro afeta diretamente a operação do Irã em terras latino-americanas. Entenda como era a pareceria entre Venezuela e Irã
A captura de Nicolás Maduro pelas forças americanas em Caracas caiu como balde de água fria em Teerã e expôs o quanto os cálculos do Irã sobre seus aliados estavam mais frágeis do que pareciam.
A operação que mirou o ditador venezuelano também atingiu uma rede de relações políticas, financeiras e militares que o Irã vinha usando para ampliar sua presença fora do Oriente Médio.
Em poucas horas, um parceiro visto como resistente ruiu, deixando Teerã diante de um cenário confuso e pouco favorável.
A Venezuela era mais do que um aliado retórico. Para o Irã, funcionava como porta de entrada na América Latina, com cooperação em energia, comércio, militar (havia até uma fábrica de drones) e, segundo serviços de inteligência ocidentais, trocas sensíveis na área de segurança.
A queda de Maduro interrompe esse fluxo e coloca em risco acordos que ajudavam o país persa a driblar sanções.
O Irã era peça importante para a Venezuela escoar seu petróleo sob sanções usando sua rede logística. Navios iranianos ou ligados a Teerã faziam o transporte com localizadores desligados e mudanças de bandeira.
Parte das cargas era rebatizada ou misturada para ocultar a origem antes de chegar ao seu maior comprador, a China.
O esquema era bom para os três: rendia gordas comissões ao Irã, permitia a Caracas manter receitas com exportações e a possibilitava a China comprar petróleo a preços abaixo do mercado.
É bom lembrar que nem todo o petróleo passava por Teerã, mas que o país foi, sim, um facilitador central.
A queda de Maduro também enfraquece a imagem iraniana de lealdade aos parceiros, algo que pesa quando Teerã tenta convencer outros governos a desafiar Washington.
O Irã vinha usando a Venezuela como símbolo de resistência ao poder americano, um discurso repetido internamente e junto a aliados regionais.
Ver esse aliado ser capturado sem reação expõe os limites claros dessa narrativa. Em Teerã, autoridades agora avaliam se vale insistir em alianças distantes ou concentrar esforços em áreas onde o custo de perder influência seja menor.
Do lado americano, o recado foi calculado. O secretário de Estado Marco Rubio deixou claro que a operação também fala ao Oriente Médio.
A mensagem é que Washington está disposta a agir fora dos palcos tradicionais para atingir redes que considera hostis.
Agora o Irã terá que rever suas prioridades e aceitar que sua margem de manobra encolheu. Ao que tudo indica, a queda de Maduro, mesmo sem uma mudança de regime, fecha o capítulo iraniano na Venezuela e deixa um ar de incerteza para os seus parceiros espalhados pelo mundo.
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