“O que acontecerá no Irã depois do derramamento de sangue?”
Presidente ucraniano afirmou que sobrevivência do regime envia “sinal claro” a opressores
O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky (foto), fez uma reflexão sobre o massacre promovido pela ditadura do aiatolá Ali Khamenei contra manifestantes, durante discurso no Fórum Econômico Mundial, em Davos, na Suíça.
Segundo Zelensky, se o regime sobreviver, “enviará um sinal claro de que” matar pessoas é suficiente para se manter no poder.
“Muito se falou sobre os protestos no Irã, mas eles terminaram em tragédia. O mundo não ajudou o povo iraniano o suficiente, ficou de braços cruzados. O que acontecerá com o Irã depois desse derramamento de sangue? Se o regime sobreviver, enviará um sinal claro a todos os seus opressores: matem pessoas suficientes e vocês se manterão no poder”, escreveu no X.
O regime iraniano admitiu na quarta-feira, 21, que 3.117 pessoas morreram durante as manifestações das últimas semanas.
Protestos
Desde 28 de dezembro, iranianos foram às ruas pedindo a morte do líder supremo Ali Khamenei, alimentou esperanças de que os iranianos, enfim, poderiam se ver livres do regime teocrático.
O presidente americano Donald Trump afirmou que “a ajuda” chegará aos iranianos, sem dar mais detalhes.
A insatisfação alcançou vários setores da população, incluindo o dos comerciantes tradicionais — os chamados bazaaris.
Até agora, Khamenei segue no comando do país. Mas o aiatolá está debilititado de saúde e já completou 86 anos.
Sua permanência, portanto, é incerta, o que levantou múltiplas especulações.
Ocorre que nem sempre a queda de um ditador representa o fim de um regime.
Uma eventual captura, morte ou assassinato de Khamenei não necessariamente significaria o colapso da estrutura repressiva do país.
Diferentemente de regimes personalistas, o sistema iraniano é sustentado por uma complexa engrenagem militar.
“Quando cai um líder, a chance de cair todo o regime é muito grande. Mas, como o Irã é uma estrutura muito enraizada, uma mudança é menos provável que em uma ditadura personalista”, afirma Gunther Rudzit, professor de Relações Internacionais da ESPM e coordenador do Núcleo de Estudos e Negócios do Oriente Médio.
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