O “Pântano de Cadáveres” de Londres
Operários que trabalhavam na construção de uma nova linha ferroviária em Londres encontraram 30 esqueletos no antigo cemitério de Bedlam
Operários que trabalhavam na construção de uma nova linha ferroviária em Londres encontraram 30 esqueletos no antigo cemitério de Bedlam, provavelmente de vítimas da Grande Praga de 1665, identificados por uma lápide com a inscrição “1665” e pelo contexto arqueológico do local.
O que foi descoberto no antigo cemitério de Bedlam
Os esqueletos foram localizados durante escavações da linha Crossrail, no centro de Londres, em uma área já conhecida por abrigar milhares de sepultamentos históricos.
A análise preliminar indica que os corpos foram enterrados no mesmo dia, em caixões individuais que se decompuseram ao longo dos séculos, sugerindo um enterro de emergência, porém organizado.
Esse achado soma-se a cerca de 3.500 esqueletos já encontrados na região, mas é o primeiro grupo claramente associado à Grande Praga de Londres. A disposição dos corpos reforça a hipótese de uma resposta sanitária estruturada em meio a um cenário de alta mortalidade.

Grande Praga de Londres e o que os esqueletos podem revelar
A Grande Praga de Londres, em 1665, matou até 100 mil pessoas em uma época em que pouco se conhecia sobre a transmissão de doenças.
Os restos mortais recém-descobertos podem ajudar a entender quem foi mais afetado, como a peste bubônica se espalhou e quais estratégias de contenção foram adotadas.
Pesquisadores esperam que esses indivíduos ofereçam pistas sobre a organização dos enterros em massa, sem que se perdesse totalmente o caráter individual. O cemitério de Bedlam, ligado ao famoso hospital psiquiátrico, funcionava como área de sepultamento em períodos de crise sanitária.
Como a arqueologia urbana contribui para o estudo das epidemias
A arqueologia urbana em grandes cidades como Londres aproveita obras de infraestrutura para acessar camadas antigas de ocupação.
Cada ossada recuperada fornece dados sobre saúde, alimentação, doenças e práticas funerárias, compondo um retrato mais preciso da vida em períodos de epidemia.
No caso da Grande Praga, os pesquisadores utilizaram técnicas específicas para investigar os esqueletos encontrados, buscando evidências biológicas e demográficas que permitam reconstruir o impacto da peste.
- Identificação de marcas de doenças em ossos e dentes.
- Análise de DNA antigo para detectar a bactéria Yersinia pestis.
- Estudo de idade, sexo e possível origem dos indivíduos.
- Comparação com outros cemitérios londrinos do século XVII.
O que a descoberta indica sobre a Londres do século XVII
A forma de disposição dos corpos sugere que, mesmo sob pressão da peste de 1665, havia tentativa de manter rituais mínimos de sepultamento. Isso contrasta com a visão de caos absoluto frequentemente associada a grandes epidemias históricas.
A localização exata das covas ajuda a mapear áreas usadas para lidar com o excesso de mortos. Esses dados poderão ser cruzados com registros escritos, como livros paroquiais, listas de mortos e decretos municipais, refinando o entendimento da resposta urbana à crise.
Veja a visão em 360º do canal Crossrail Project sobre a descoberta desses corpos:
Quais são as próximas etapas da investigação arqueológica
Os 30 esqueletos foram encaminhados ao Museu de Londres, onde passarão por catalogação, limpeza, registro fotográfico e análise osteológica. Em seguida, serão realizados exames laboratoriais, incluindo datações e possíveis testes genéticos, para confirmar a associação com a peste bubônica.
O trabalho seguirá um protocolo que envolve documentação em campo, remoção controlada, estudo físico detalhado e interpretação histórica. Com isso, o achado em Bedlam deve se consolidar como fonte central para compreender a dinâmica da Grande Praga em uma grande metrópole europeia do século XVII.
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