O esqueleto mais antigo e completo revela um capítulo inesperado da nossa evolução
A relevância de KNM-ER 64061 está no grau de preservação, raro para Homo habilis, que costuma ser conhecido por fósseis fragmentados.
Um esqueleto excepcionalmente completo de Homo habilis, identificado como KNM-ER 64061 e datado em mais de dois milhões de anos, foi descoberto em East Turkana, no norte do Quênia, reacendendo o interesse sobre as origens do gênero humano.
Importância do esqueleto de Homo habilis KNM-ER 64061
A relevância de KNM-ER 64061 está no grau de preservação, raro para Homo habilis, que costuma ser conhecido por fósseis fragmentados.
A presença combinada de mandíbula, membros superiores e inferiores e partes do tronco permite estimar com mais precisão tamanho corporal, postura e aspectos funcionais.
Datado em mais de dois milhões de anos, o fóssil coincide com um período de mudanças ambientais no leste da África e diversificação de hominíneos.
Isso possibilita comparar diretamente suas características com outros fósseis encontrados em East Turkana e em estratos semelhantes, reforçando a região como um importante laboratório natural da paleoantropologia.

Características físicas e proporções corporais de Homo habilis
As análises sugerem que o indivíduo tinha cerca de 1,60 metro e peso entre 30 e 33 quilos, com corpo esguio e menos robusto que muitos Homo erectus.
Essa constituição indica diferenças em locomoção, resistência física e forma de exploração do ambiente em relação a espécies posteriores.
Os membros mostram antebraço relativamente longo em comparação ao braço, padrão próximo ao de Australopithecus afarensis.
Essa proporção, somada ao corpo leve, aponta para um estilo de vida que combinava locomoção terrestre com uso frequente dos braços em atividades como escalada e deslocamentos em ambientes arborizados.
Relação evolutiva entre Homo habilis, Homo erectus e australopitecos
A comparação entre Homo habilis e Homo erectus é central para entender a evolução do gênero Homo.
Em KNM-ER 64061, muitos detalhes dos ossos dos membros lembram estruturas de Homo erectus e de espécies mais recentes, sugerindo ligação evolutiva clara.
Ao mesmo tempo, estatura menor, corpo menos robusto e braços mais longos indicam condição intermediária entre australopitecos e humanos posteriores.
Em relação a Australopithecus afarensis, o Homo habilis já mostra avanços na forma do pé, quadril e organização da coluna vertebral.
KNM-ER 64061, most complete Homo habilis skeleton yet (Koobi Fora) shows primitive limb proportions: long forearms, thick cortices, small body mass (~31 kg) & ~160 cm stature. Upper limbs like early Homo, but proportions differ from H. erectus
— The Anatomical Record (@AnatRecord) January 13, 2026
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Adaptações de Homo habilis ao ambiente e ao uso das mãos
Os ossos do ombro e do braço exibem camada cortical espessa, característica associada a uso intenso dos membros superiores em tarefas que exigem força.
Isso pode estar ligado tanto a comportamentos de escalada quanto à manipulação frequente de ferramentas simples de pedra.
Para entender melhor o cotidiano desse hominídeo, os pesquisadores destacam um conjunto de adaptações funcionais relacionadas ao ambiente e ao uso das mãos, que podem ter sido decisivas para sua sobrevivência.
- Capacidade de escalar árvores para acessar frutos, abrigo e proteção contra predadores.
- Uso intensivo dos membros superiores em coleta, transporte de recursos e manipulação de pedras e ossos.
- Marcha bípede em áreas abertas, possivelmente em distâncias menores que em espécies posteriores.
Modo de vida de Homo habilis em East Turkana
A partir de KNM-ER 64061, o Homo habilis é entendido como um hominídeo adaptado tanto a ambientes arborizados quanto a paisagens mais abertas.
Braços fortes, ombros robustos e proporções de membros sugerem flexibilidade para transitar entre árvores e solo firme.
Embora haja lacunas sobre detalhes das pernas e desempenho locomotor, o esqueleto ajuda a esclarecer como o corpo de Homo habilis se organizava e como essa espécie explorava seu entorno em East Turkana, inserindo-se em um cenário complexo de evolução humana no leste da África.
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