“O capitalismo não está funcionando para os jovens”, diz bilionário trumpista
Entrevista do jornalista americano Sean Fischer no portal The Free Press mostra Peter Thiel ligando dívida estudantil e moradia à guinada jovem para soluções à esquerda
Sean Fischer, do portal The Free Press, entrevistou com o cofundador do PayPal e da Palantir. O bilionário Peter Thiel é apoiador de Donald Trump e figura lendária do Vale do Silício, conhecida por antecipar tendências tecnológicas e políticas.
O ponto de partida é um e-mail de janeiro de 2020 que o investidor enviou a executivos do Facebook. Ele cobrou atenção à simpatia dos jovens por políticas socialistas.
Thiel afirma que há uma quebra do pacto entre gerações. Ele diz que “quando 70% dos millennials dizem ser pró-socialismo, precisamos entender o porquê”.
A dívida estudantil é o primeiro fator. Thiel critica o retorno atual do alto investimento do ensino superior. Segundo ele, “muitos não aprendem nada e saem com dívidas incrivelmente pesadas”, o que trava escolhas de carreira e de vida adulta.
O investidor afirma que “a dívida estudantil nacional era de 300 bilhões de dólares em 2000 e hoje supera 2 trilhões”, chamando o crescimento de exponencial e alertando para um ponto de ruptura.
A moradia vem como segundo eixo. Thiel argumenta que regras urbanísticas restritivas e baixa oferta encarecem casas onde há emprego. Para ele, isso concentra ganhos em proprietários mais velhos e impede jovens de comprar, alimentando frustração política.
O investidor liga economia cotidiana a comportamento eleitoral. Ele afirma que “se você empobrece os jovens, não deve se surpreender quando eles se tornam comunistas”.
O contexto imediato é a vitória de Zohran Mamdani para prefeito de Nova York.
Thiel rejeita as respostas estatizantes e critica controles de aluguel. Ele afirma que “não dá para socializar a moradia” e que limitar preços “provavelmente reduz a oferta e, no fim, encarece ainda mais”, pedindo aumento de construção onde há demanda.
Ele responsabiliza o centro político por evitar o tema.
Diz que propostas sob a etiqueta socialista avançam quando o “establishment” não enfrenta os problemas reais da população
Segundo Thiel, parte do apelo de candidatos disruptivos está na autenticidade percebida. Ele afirma que “há alguma autenticidade em Trump e em Mamdani”, contrastando com políticos tradicionais, descritos como coreografados e incapazes de falar de forma direta.
Fischer pergunta se o futuro será conflito de classes. Thiel recupera perdas do cinturão industrial do Meio-Oeste com a globalização. Ele diz que lideranças de 1988 a 2016 foram “estranhamente indiferentes” às regiões mais afetadas, abrindo espaço para agendas antissistema.
Sobre participação política, Thiel descreve um ciclo de alta na centralidade da política. Ele sustenta que “seria saudável se menos pessoas votassem” (o voto nos EUA não é obrigatório) porque isso indicaria estabilidade e menor impacto das decisões públicas no cotidiano.
A entrevista aborda o risco de ruptura. Thiel é cético sobre uma revolução juvenil. Ele afirma que “se os Estados Unidos se tornarem socialistas, será um socialismo de idosos, mais sobre saúde gratuita do que sobre violência de rua”.
O investidor diz que chamar adversários de “jihadistas” ou “ridículos” não substitui políticas para habitação e dívidas. Na sua visão, quem evita esses temas “vai continuar perdendo”.
No horizonte de dez anos, Thiel descreve um cenário positivo condicionado a resultados concretos. Ele afirma que “será um bom sinal se esta for a última vez que falamos sobre esses problemas”.
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Comentários (1)
Otreblig50
10.11.2025 19:34Aparentemente ainda existem alguns " NEURÔNIOS NÃO APODRECIDOS ", no capitalismo selvagem americano....... mas talvez não sejam suficientes !!!!