Novos estudos apontam que a Grande Pirâmide foi construída até 40.000 anos antes de Cristo, durante a Idade da Pedra
A discussão sobre a idade real da Grande Pirâmide de Guiza ganha força com a proposta de um método de análise baseado na erosão das pedras.
A discussão sobre a idade real da Grande Pirâmide de Guiza ganha força com a proposta de um método de análise baseado na erosão das pedras.
A data tradicionalmente aceita pela egiptologia situa a construção por volta de 2.560 a.C., durante o reinado do faraó Quéops, mas um estudo recente sugere que o monumento pode ser muito mais antigo, levantando dúvidas sobre a cronologia oficial e sobre quem teria sido o verdadeiro responsável pela obra.
O que propõe o novo método de datação da Grande Pirâmide
O estudo preliminar recorre a um procedimento não convencional que compara o desgaste de blocos de calcário sempre expostos com o de áreas protegidas até tempos recentes.
A partir dessa diferença de erosão, o engenheiro responsável propõe estimar há quanto tempo cada superfície está sujeita à ação de chuva, vento e areia.
Com o chamado Método de Erosão Relativa, foram realizadas doze medições independentes, que resultaram em valores muito distintos, de alguns milhares a dezenas de milhares de anos.
A média desses dados gerou um intervalo estatístico amplo, sugerindo que a Grande Pirâmide poderia ser muito anterior ao período normalmente aceito pela arqueologia tradicional.
Estatueta em marfim representando o faraó Khufu (Quéops), datada do Antigo Reino. Trata-se de um dos poucos retratos conhecidos desse governante, responsável pela construção da Grande Pirâmide. A peça foi encontrada em Abidos e possui cerca de 7,5 cm. #Egiptologia #Arqueologia pic.twitter.com/YxIBKiWjrA
— Márcia Jamille🐼🔎 (@MJamille) July 17, 2025
A Grande Pirâmide pode ser muito mais antiga do que se pensava
A hipótese de uma pirâmide extremamente antiga levanta questões sobre o desenvolvimento tecnológico e social das civilizações humanas.
Se a construção remontar a épocas tão remotas quanto a Idade da Pedra, isso implicaria que grupos pré-históricos dominaram técnicas de engenharia e organização muito avançadas.
O estudo não oferece uma data exata, mas um intervalo com diferentes probabilidades ao longo da linha do tempo.
Mesmo como estimativa de “ordem de grandeza”, a simples possibilidade de deslocar a cronologia da Grande Pirâmide de Guiza para muito antes do Império Antigo já altera a forma tradicional de enquadrar a história do Egito.
Quais fatores podem distorcer a datação por erosão
O próprio estudo reconhece que diversos elementos podem interferir nas taxas de erosão do calcário, alterando os resultados.
Entre eles, o clima antigo do Egito é crucial, pois períodos mais úmidos tendem a acelerar o desgaste, enquanto fases áridas o reduzem.
Para ilustrar a complexidade dessas variáveis e como elas podem afetar as estimativas de idade, o trabalho destaca fatores que precisam ser considerados em qualquer tentativa de usar a erosão como “relógio natural”:
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| Fator | Descrição Técnica | Impacto na Datação |
|---|---|---|
|
Variações climáticas Clima paleoclimático |
Alternância de períodos úmidos e secos ao longo de milênios, alterando padrões de erosão química, hídrica e mecânica. | Pode acelerar ou retardar o desgaste das superfícies, gerando leituras temporais imprecisas. |
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Cobertura por areia Proteção natural |
Camadas sedimentares que recobrem parcialmente estruturas, isolando-as da ação do vento, da água e do sol. | Preserva superfícies específicas, criando contrastes falsos de idade entre áreas da mesma construção. |
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Composição do calcário Litologia |
Diferenças na densidade, porosidade e dureza dos blocos de calcário utilizados na construção. | Blocos mais frágeis se degradam mais rápido, simulando maior antiguidade. |
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Orientação das faces Geometria estrutural |
Exposição desigual ao vento dominante e à incidência solar direta ao longo do dia e do ano. | Gera padrões assimétricos de desgaste que confundem modelos de datação por erosão. |
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Ação humana moderna Interferência antrópica |
Turismo, restaurações, reconstruções e intervenções arquitetônicas contemporâneas. | Introduz camadas artificiais de desgaste que distorcem a leitura histórica original. |
Quéops foi o construtor ou um reutilizador da pirâmide
Uma questão sensível é a relação entre o monumento e o faraó Quéops. A egiptologia convencional associa a pirâmide à Quarta Dinastia com base em inscrições, referências textuais e contexto arqueológico do planalto de Gizé.
Se a pirâmide for realmente anterior por muitos milênios, ganha força a hipótese de que Quéops teria reformado, ampliado ou se apropriado de uma estrutura preexistente.
Isso exigiria revisar a cronologia de templos funerários, mastabas e outras pirâmides associadas, confrontando fontes escritas com novas análises geológicas.
Como essa controvérsia pode impactar a pesquisa histórica
A discussão sobre a idade da Gran Pirâmide de Guiza mostra que mesmo monumentos extensivamente estudados ainda geram perguntas inéditas.
A hipótese de uma origem muito anterior ao Império Antigo estimula o diálogo entre física, geologia, arqueologia e climatologia.
A tendência é que o método de erosão relativa seja testado em outros contextos, comparado com datações já consolidadas e tratado como complementar a técnicas tradicionais, como análise estratigráfica, estudo de materiais orgânicos e leitura de inscrições, mantendo o debate científico aberto em 2025.
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