Novas leis na Rússia aumentam repressão contra críticos da guerra
Entre as novas medidas, destaca-se a criminalização do "descrédito" às forças armadas russas e das manifestações de apoio a sanções contra Moscou
No início da semana, o ditador russo, Vladimir Putin, implementou um conjunto de legislações que visam restringir ainda mais as vozes dissidentes em relação às suas políticas, especialmente no contexto da invasão da Ucrânia, iniciada em 2022.
Entre as novas medidas, destaca-se a criminalização do “descrédito” às forças armadas russas e das manifestações de apoio a sanções contra Moscou.
Além disso, a legislação proíbe ações que ajudem na execução de decisões de organizações internacionais das quais a Rússia não faz parte, englobando, por exemplo, a Corte Penal Internacional (CPI), que emitiu um mandado de prisão contra Putin, em 2023.
As restrições também se estendem aos chamados “agentes de estrangeiros”, uma designação usada para identificar críticos do Kremlin.
Uma nova norma proíbe esses indivíduos de ocuparem cargos em conselhos administrativos de empresas estatais.
A legislação referente aos “agentes de estrangeiros”, aprovada em 2012, já impunha diversas barreiras administrativas e agora inclui a obrigação de que essas pessoas se identifiquem claramente como tal ao publicarem conteúdo nas redes sociais.
Além disso, recentes alterações nas normas aumentaram o controle sobre os “agentes de estrangeiros”, proibindo a veiculação de publicidade nos meios de comunicação controlados por eles e restringindo seus direitos autorais.
Atualmente, cerca de mil indivíduos e organizações, incluindo músicos, escritores e jornalistas renomados, figuram na lista dos considerados “agentes de estrangeiros”.
Essas novas regulamentações fazem parte de uma estratégia mais ampla de repressão promovida pelo governo russo contra qualquer forma de oposição à sua política e às ações militares na Ucrânia.
Discussões para cessar-fogo entre Ucrânia e aliados
Na próxima quarta-feira, 23 de abril, Londres será palco de um novo ciclo de negociações entre a Ucrânia e seus aliados ocidentais, com o objetivo de estabelecer um cessar-fogo com a Rússia.
O ministro das Relações Exteriores da França, Jean-Noël Barrot, criticou a recente trégua de Páscoa imposta por Moscou, descrevendo-a como uma “operação de marketing”. Barrot também reconheceu uma diminuição nas ações ofensivas envolvendo drones e mísseis de longo alcance.
O presidente Volodymyr Zelensky anunciou na segunda-feira, 21, que uma delegação ucraniana se dirigirá a Londres para diálogos com representantes dos Estados Unidos e da Europa.
Zelensky expressou a esperança de alcançar um “cessar-fogo incondicional” com a Rússia durante as negociações e almeja uma “paz real e duradoura”.
As conversas tiveram início na semana passada em Paris, onde representantes ucranianos, americanos, franceses e britânicos se reuniram pela primeira vez em um formato inédito para avançar nas discussões.
EUA podem se retirar das negociações de paz
No último domingo, Donald Trump declarou estar otimista quanto à possibilidade de um acordo entre as partes ainda esta semana.
Entretanto, suas declarações foram acompanhadas por uma advertência: o secretário de Estado americano Marco Rubio alertou que os Estados Unidos poderiam se retirar das negociações se a paz se mostrar inviável.
Trump havia ameaçado se retirar das conversações de cessar-fogo na sexta-feira passada devido à falta de resultados tangíveis. No entanto, ele reiterou sua esperança por um acordo durante o fim de semana em uma mensagem publicada em sua rede social Truth Social.
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