Navalny foi morto com veneno de rã, conclui investigação europeia
Análises laboratoriais identificaram toxina encontrada em rãs da América do Sul
O líder da oposição russa Alexei Navalny (foto) foi morto com o uso de uma toxina derivada de rãs venenosas, segundo conclusão divulgada pelo Reino Unido, França, Alemanha, Suécia e Holanda. A acusação é resultado de uma investigação conduzida por agências de inteligência dos cinco países.
De acordo com os governos europeus, análises laboratoriais identificaram epibatidina — substância encontrada na pele de rãs da América do Sul — em amostras coletadas do corpo do opositor antes do enterro.
Para os países envolvidos, não há explicação alternativa para a presença do veneno no corpo do opositor.
Em comunicado conjunto, os aliados afirmaram:
“Apenas o Estado russo tinha os meios, o motivo e a oportunidade para empregar essa toxina letal contra Navalny durante sua prisão em uma colônia penal russa na Sibéria, e nós o responsabilizamos por sua morte.”
A nota acrescenta:
“A epibatidina pode ser encontrada naturalmente em sapos venenosos na natureza na América do Sul. Sapos venenosos em cativeiro não produzem essa toxina e ela não é encontrada naturalmente na Rússia. Não há explicação inocente para sua presença no corpo de Navalny.”
“Rússia via Navalny como uma ameaça”
Durante a Conferência de Segurança de Munique, a chanceler britânica Yvette Cooper disse neste sábado, 14:
“Apenas o governo russo tinha os meios, o motivo e a oportunidade para empregar essa toxina letal contra Alexei Navalny durante sua prisão na Rússia.”
Segundo ela, “a Rússia via Navalny como uma ameaça” e “ao usar essa forma de veneno, o Estado russo demonstrou as ferramentas desprezíveis que tem à sua disposição e o medo avassalador que tem da oposição política”.
O Reino Unido informou ainda que levará o caso à Organização para a Proibição de Armas Químicas por considerar a ação uma violação da Convenção sobre Armas Químicas.
O ministro francês Jean-Noël Barrot disse que seu país “presta homenagem” a Navalny, que, segundo ele, foi “morto por sua luta em favor de uma Rússia livre e democrática”.
Viúva de Navalny se manifesta
Navalny morreu em 16 de fevereiro de 2024, aos 47 anos, em uma colônia penal no Ártico, onde cumpria pena de 19 anos. Antes disso, já havia sobrevivido a uma tentativa de envenenamento com o uso do agente Novichok, em 2020.
Yulia Navalnaya, viúva de Navalny, reagiu ao anúncio deste sábado e afirmou:
“Eu tinha certeza desde o primeiro dia de que meu marido havia sido envenenado, mas agora há provas. Sou grata aos Estados europeus pelo trabalho meticuloso realizado ao longo de dois anos e por revelar a verdade.”
Em outra declaração, disse ainda que ele foi “assassinado”.
O Kremlin não comentou as acusações.
O ditador Vladimir Putin já havia que a morte de uma pessoa é “sempre um evento triste”, sem mencionar o nome do opositor.
Navalny era o principal crítico de Putin, conhecido por denunciar casos de corrupção no alto escalão do governo russo.
Formado em Direito e com passagem por programas de formação política nos Estados Unidos, iniciou a carreira no partido liberal Yabloko antes de se consolidar como a principal voz da oposição no país.
Os comentários não representam a opinião do site; a responsabilidade pelo conteúdo postado é do autor da mensagem.
Comentários (1)
Marcos
14.02.2026 11:55QUEM SE LEMBRA DA "VELHINHA DE TAUBATÉ". ELA É O ÚNICO SER HUMANO QUE ACREDITA QUE O DITADOR PUTIN NÃO É UM ASSASSINO.