NASA e a ESA miram no campo magnético polar do Sol pela primeira vez e de deparam com uma grande surpresa
A missão Solar Orbiter, impulsionada pela colaboração NASA-ESA, foi capaz de observar o polo sul solar após ajustar sua trajetória orbital.
A exploração espacial tem apresentado descobertas fascinantes ao longo dos anos, e um dos avanços mais recentes envolve o estudo do campo magnético do Sol e a colaboração entre a NASA e a Agência Espacial Europeia (ESA) através da missão Solar Orbiter tem proporcionado uma visão inédita desse fenômeno solar.
Pela primeira vez, foi possível capturar uma imagem completa do campo magnético polar do Sol, revelando novas informações sobre a dinâmica do plasma solar.
A missão Solar Orbiter, impulsionada pela colaboração NASA-ESA, foi capaz de observar o polo sul solar após ajustar sua trajetória orbital.
Essa modificação permitiu à nave inclinar-se em um ângulo de 17 graus em relação ao plano orbital dos planetas, oferecendo uma perspectiva até então impossível.
O Instituto Max Planck para a Pesquisa do Sistema Solar (MPS) teve papel central na análise dos dados, e os resultados foram divulgados na renomada The Astrophysical Journal Letters.
Como o campo magnético polar do Sol foi observado pela NASA?
Os instrumentos Polarimetric and Helioseismic Imager (PHI) e Extreme-Ultraviolet Imager (EUI) desempenharam um papel crucial nesta pesquisa.
As imagens capturadas por essas ferramentas forneceram detalhes sobre a estrutura do campo magnético e o movimento do plasma na superfície solar.
Antes dessas observações, a vista que se tinha a partir da Terra era apenas lateral, o que limitava a compreensão dos fenômenos nos polos solares e sua influência no ciclo solar de 11 anos.
O Sol observado no ultravioleta ao longo de 1 mês.
— Ned Oliveira (@nedoliveira1) August 31, 2021
A camada de ozônio da Terra bloqueia a maior parte da radiação ultravioleta do Sol, então esse tipo de observação só é possível do espaço. Esta foi feita pela sonda DSO da NASA.
Crédito: NASA/DSO pic.twitter.com/HHGV0wSgnl
O que foi descoberto sobre o movimento do plasma solar?
As descobertas foram surpreendentes: identificaram-se gigantescas células de plasma quente, conhecidas como supergranulações, cuja dimensão alcança até três vezes o tamanho da Terra.
Essas estruturas carregam linhas do campo magnético para seus limites, formam uma rede magnética solar característica e, mais importante, movem-se em direção aos polos a velocidades superiores ao anteriormente estimado.
As medições revelaram que o fluxo de plasma ocorre a uma velocidade de 10 a 20 metros por segundo, contradizendo estimativas anteriores que previam movimentos mais lentos nessas latitudes.
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Como as supergranulações afetam o ciclo solar?
Segundo a pesquisadora Lakshmi Pradeep Chitta, as supergranulações atuam como traçadores do campo magnético global do Sol, fazendo visíveis processos fundamentais do ciclo de 11 anos.
Este é um componente essencial para entender a renovação do campo magnético solar e seu impacto em fenômenos como as tempestades solares.
Sami Solanki, diretor do MPS, observa que ainda há grandes lacunas no conhecimento sobre o ciclo magnético solar, especificamente sobre o que ocorre nos polos, mas o Solar Orbiter está começando a preencher essas lacunas.
👩🚀☀️Uma proeminência solar pairando acima do Sol
— Ned Oliveira (@nedoliveira1) August 26, 2025
O que você vê nesta cena é uma proeminência solar, uma imensa crista de plasma quente expelida da superfície do Sol e sustentada por seu campo magnético.
Essas estruturas podem durar dias, colapsar de volta ao Sol ou até serem… pic.twitter.com/q9KinAurVM
Qual a importância das futuras observações do Solar Orbiter para a NASA e a ESA?
Os resultados obtidos representam apenas uma pequena fração do ciclo solar. Para confirmar a teoria de que o cinturão transportador magnético mantém a mesma velocidade ou se ele varia com o tempo, serão necessárias observações mais longas.
Com o aumento da inclinação orbital da missão, mais dados poderão ser coletados, permitindo um entendimento mais detalhado dos mecanismos regulatórios da atividade solar e auxiliando na previsão de eventos solares.
Portanto, a missão Solar Orbiter é um marco significativo na astrofísica, fornecendo os dados necessários para desvendar os mistérios do Sol, que podem ter implicações diretas na Terra e em suas tecnologias dependentes de comunicação e energia solar.
Com essas novas descobertas, os pesquisadores estão um passo mais próximo de entender completamente o ciclo solar e seus complexos componentes magnéticos.
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