Moyenne, a ilha que poderia ser mansão de luxo e acabou virando o laboratório ecológico mais improvável do planeta

21.02.2026

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Moyenne, a ilha que poderia ser mansão de luxo e acabou virando o laboratório ecológico mais improvável do planeta

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4 minutos de leitura 20.02.2026 20:02 comentários
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Moyenne, a ilha que poderia ser mansão de luxo e acabou virando o laboratório ecológico mais improvável do planeta

Comprar uma ilha costuma remeter a mansões e resorts exclusivos, mas a história da ilha de Moyenne, nas Seychelles, seguiu outro rumo

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Moyenne, a ilha que poderia ser mansão de luxo e acabou virando o laboratório ecológico mais improvável do planeta
Moyenne, a ilha que poderia ser mansão de luxo e acabou virando o laboratório ecológico mais improvável do planeta - Youtube/GuideAngelo Daily

Comprar uma ilha costuma remeter a mansões e resorts exclusivos, mas a história da ilha de Moyenne, nas Seychelles, seguiu outro rumo.

Graças à iniciativa de um ex-jornalista britânico, o local foi transformado em refúgio ambiental, com floresta restaurada, fauna protegida e uso turístico limitado, tornando-se referência em conservação.

Como começou a transformação da ilha de Moyenne?

A ilha de Moyenne foi comprada em 1962 por Brendon Grimshaw por cerca de 8.000 libras, quando ainda era pouco valorizada e quase abandonada. Usada esporadicamente por pescadores, tinha áreas degradadas, poucas árvores nativas e quase nenhuma vida silvestre.

Grimshaw trabalhava como jornalista na África Oriental e só visitava Moyenne nas férias, até decidir mudar-se em definitivo em 1973. A partir daí, iniciou um projeto de restauração ecológica, com planejamento de longo prazo e recusa a propostas milionárias de compra.

Moyenne, a ilha que poderia ser mansão de luxo e acabou virando o laboratório ecológico mais improvável do planeta
Moyenne, a ilha que poderia ser mansão de luxo e acabou virando o laboratório ecológico mais improvável do planeta – Youtube/GuideAngelo Daily

Quais foram as principais ações de restauração ecológica?

O primeiro foco foi a recuperação da vegetação nativa, então dominada por arbustos densos e plantas invasoras. Com a ajuda do morador local René Antoine Lafortune, Grimshaw passou anos abrindo clareiras, plantando manualmente e monitorando o crescimento das mudas.

Foram plantadas mais de 16.000 árvores, incluindo palmeiras e espécies típicas das Seychelles, criando sombra e abrigo para o retorno da fauna.

Ao mesmo tempo, houve controle rigoroso de ratos e outras espécies invasoras, o que favoreceu a regeneração da floresta e atraiu mais de 200 espécies de aves.

Por que as tartarugas gigantes são tão importantes em Moyenne?

Quando Grimshaw chegou, não havia tartarugas gigantes de Aldabra na ilha, embora elas sejam símbolo das Seychelles. Ele trouxe indivíduos de outras ilhas, acompanhou seu crescimento e registrou dados sobre comportamento e reprodução.

Hoje, estima-se que mais de 120 tartarugas circulem livremente em Moyenne, desempenhando papel ecológico relevante, como dispersar sementes e controlar a vegetação baixa.

A presença delas reforça o status da ilha como santuário para espécies emblemáticas e como vitrine de turismo de natureza responsável.

Desde 2009, a área é reconhecida como Parque Nacional da Ilha Moyenne, com regras que limitam construções e fluxo de visitantes. Não há hotéis nem grandes estruturas comerciais, apenas um pequeno restaurante e trilhas bem demarcadas, totalizando cerca de cinco quilômetros.

Esse modelo garante visitação controlada e reduz impactos sobre solo, vegetação e fauna. A proteção legal, somada à gestão contínua, assegura que o projeto iniciado por Grimshaw continue após sua morte, mantendo a ilha como espaço voltado prioritariamente à biodiversidade.

Confira o documentário do canal WanderingEyeFilms sobre a ilha Moyenne:

Que lições a ilha de Moyenne oferece para a conservação?

A trajetória de Moyenne é estudada como exemplo de como pequenas ilhas podem ter grande relevância ecológica. Em um arquipélago pressionado por turismo e especulação imobiliária, ela mostra que iniciativas individuais, aliadas a políticas públicas, podem criar refúgios altamente resilientes.

Algumas lições frequentemente destacadas por especialistas ajudam a orientar projetos de conservação em ilhas e outros ambientes sensíveis:

  • Visão de longo prazo e paciência para resultados graduais.
  • Prioridade para espécies nativas como base da restauração.
  • Controle permanente de espécies invasoras.
  • Uso público limitado, com trilhas e infraestrutura mínima.
  • Proteção legal para garantir continuidade do projeto.
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