Mensagens gravadas em cartuchos revelam motivos do assassino de Charlie Kirk
O jornalista americano Josh Code repercutiu entrevista com Andy Ngo, repórter que investiga há anos a radicalização de grupos de esquerda nos Estados Unidos
O portal americano The Free Press publicou entrevista com Andy Ngo, repórter independente que há mais de uma década cobre protestos e ações de grupos de extrema-esquerda nos Estados Unidos.
Ngo ficou conhecido por investigar essas redes de perto e já foi fisicamente agredido em manifestações.
Tyler Robinson, de 22 anos, foi denunciado por homicídio qualificado e outras acusações, com possibilidade de pena de morte. Mensagens enviadas a um parceiro trans no dia do crime indicariam que ele acreditava estar reagindo ao discurso de Kirk, que descreveu como “ódio que não pode ser negociado”.
Ngo afirmou que “as mensagens gravadas nos cartuchos de bala são o manifesto [de Tyler Robinson]”.
Ele explicou que duas das inscrições encontradas nas balas remetiam a piadas de comunidades digitais específicas.
Uma dizia “Se você leu isso, é gay, risos” e outra “Nota o volume, OWO, o que é isso?”.
Essas frases fazem sentido apenas para grupos on-line de nicho, como fóruns ligados a jogos eletrônicos ou a comunidades conhecidas como furry, internautas que se identificam com personagens animais de aparência humana, muitas vezes presentes em desenhos e animações.
As outras duas inscrições, porém, traziam mensagens diretamente políticas.
Uma delas dizia “Ei, fascista! Pega!”, referência ao jogo Helldivers 2, que ironiza regimes autoritários.
A outra citava “Bella Ciao”, canção italiana usada como hino antifascista desde a Segunda Guerra Mundial e ainda associada a movimentos antifa.
Ngo destacou: “Bella Ciao é o hino antifa — isso não pode ser subestimado. Tem sido sua música e seu slogan por décadas”.
Ele lembrou que, em 2019, o militante Willem Van Spronsen, morto em um ataque a um centro de imigração no estado de Washington, encerrou seu manifesto com versos dessa canção.
Questionado se Robinson teria atuado em redes organizadas, Ngo respondeu: “Não vi nenhuma evidência de que ele estivesse envolvido com redes terroristas. Ele parecia ser um gamer”.
Na sua avaliação, o acusado seria parte de uma geração de jovens que se radicalizam sozinhos ao consumir propaganda ideológica em fóruns e redes sociais.
Ngo comparou esse processo ao extremismo religioso: “O islamismo radical é uma ideologia, e o antifa também é uma ideologia. Ambos podem se manifestar de maneiras muito diferentes: uns pegam em armas, outros apenas consomem a propaganda e fazem algum tipo de ação direta por conta própria”.
Segundo ele, a esquerda radical atual não segue a estrutura rígida dos anos 1960 e 1970, quando havia partidos e líderes visíveis. “Hoje é encorajado ser disperso e autônomo, e o indivíduo pode ser a célula”, explicou.
Ngo também comentou a relação entre subculturas digitais e militância de gênero. “O radicalismo trans tem muita interseção com anime e com a comunidade furry. Não estou dizendo que, se alguém gosta de anime ou de furries, vai se tornar extremista de esquerda. Estou apenas dizendo que, em termos de interesses, há muita sobreposição”.
Para Josh Code, a análise mostra como símbolos de internet, piadas de nicho e slogans antifascistas ajudaram a formar a narrativa que teria motivado Robinson.
A promotoria de Utah considera esse conjunto suficiente para pedir a pena de morte, enquanto a investigação continua em andamento.
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Comentários (1)
Annie
18.09.2025 10:58Parabéns Antagonista pela reportagem não vejo nada sobre esse assunto em outras mídias.