Manifestantes tentam invadir prédio do governo no Irã
Queda acentuada do valor da moeda e inflação superior a 50% levam manifestantes às ruas; no sul do país, sede do governo provincial é atacada
O Irã registrou hoje, 31, o quarto dia consecutivo de manifestações. Os atos começaram no mercado de telefonia de Teerã e avançaram para outras localidades. O grupo de manifestantes inclui universitários e lojistas afetados pela situação financeira.
Confrontos e resposta estatal
Em Fasa, no sul, um prédio da administração estadual foi alvo de investidas. Vidros e portas da estrutura foram quebrados por populares. Hamed Ostovar, autoridade do judiciário local, confirmou os estragos na repartição do governo.
Mohammad Movahedi-Azad, procurador-geral, disse que as demandas econômicas são legítimas. Ele ressaltou, porém, que atos de desordem terão “uma resposta legal, proporcional e decisiva”. Cidades como Hamadã e Kuhdasht também registraram atos públicos.
Vídeos indicam o uso de gás lacrimogêneo e disparos por forças de segurança em Kuhdasht. Não há registros de vítimas fatais ou feridos nestes locais até o momento. No centro da capital, as atividades seguem sob vigilância.
Crise econômica gera insatisfação
A desvalorização da moeda nacional atingiu 69% em relação ao dólar durante o ano de 2025. A inflação interanual no país é de 52%. Um cidadão afirmou ao jornal Etemad que “aqui todos lutam por um pedaço de pão”.
O governo iraniano decretou feriado bancário e suspendeu aulas em escolas. A justificativa oficial para o fechamento de repartições é a economia de energia devido às baixas temperaturas. As universidades adotaram o ensino remoto para a próxima semana.
Houve mudança no comando da política monetária com a nomeação de Abdolnasser Hemmati para o Banco Central. Ele substitui Mohammad Reza Farzin após o pedido de renúncia do antigo titular. O regime atribui parte da agitação a influências externas.
Teerã aponta que mensagens de apoio vindas de Israel visam incitar a desordem. O Irã não possui relações diplomáticas com o país vizinho e denuncia sabotagens anteriores. As sanções internacionais impostas pela ONU e EUA agravam o quadro interno.
As manifestações atuais têm alcance menor do que os movimentos de 2022. Naquela ocasião, a morte de Mahsa Amini gerou mobilizações nacionais massivas. No cenário presente, a indignação social permanece concentrada na perda do poder de compra.
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