Kremlin limita internet na Rússia por “segurança dos cidadãos”
Perturbações na rede móvel afetam comunicações cotidianas em Moscou e outras regiões do país
O governo russo confirmou nesta quarta-feira, 11, que as interrupções nas conexões à internet registradas em diversas regiões do país são resultado de medidas adotadas pelas autoridades e que serão mantidas por tempo indeterminado.
O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, atribuiu as restrições à necessidade de responder a ataques ucranianos com meios tecnológicos: “O regime de Kiev utiliza métodos cada vez mais sofisticados para seus ataques, e são necessárias medidas tecnológicas de resposta para garantir a segurança dos cidadãos”, declarou Peskov em sua coletiva de imprensa diária. Ele afirmou que as ações foram tomadas “em estrito cumprimento” da legislação vigente.
Impacto no cotidiano
As falhas de conectividade têm gerado transtornos na capital e em outras localidades. Moradores de Moscou relataram dificuldades para acionar aplicativos de transporte por aplicativo e serviços de entrega de refeições. Os distritos centrais da cidade concentraram o maior volume de registros de instabilidade na rede, segundo o portal especializado kod.ru.
Uma cidadã russa, ouvida pela AFP em Moscou, disse que ficou “muito mais complicado” trocar mensagens com familiares a partir do centro da cidade. Os serviços de comunicação instantânea “já não funcionam”, o que gera “muitas dificuldades para comunicações simples e cotidianas”, afirmou.
O funcionário de uma empresa que preferiu não se identificar disse que teve prejuízos: “Não posso escrever para meus clientes”. Ele contornou o problema buscando pontos de acesso wi-fi para enviar mensagens.
Um jornalista da AFP também registrou falhas na conexão a várias centenas de quilômetros de Moscou, na mesma data.
“Lista branca” e restrições
O governo russo mantém uma relação de endereços digitais autorizados a operar mesmo durante os apagões, batizada de “lista branca”, que inclui portais de órgãos públicos, alguns bancos e veículos de comunicação estatais.
Peskov sugeriu, na coletiva, ampliar esse cadastro para abranger serviços afetados pelas restrições, como plataformas de transporte e alimentação: “A análise dessa experiência sem dúvida permitirá propor uma solução diferente para os problemas que, infelizmente, acompanham essas limitações”, disse o porta-voz.
As autoridades russa também limitaram o acesso aos aplicativos WhatsApp e Telegram, alegando descumprimento da legislação local. O uso de redes privadas virtuais (VPNs) ainda permite contornar parte dos bloqueios, mas o regime já desativou o acesso a diversas dessas ferramentas desde 2022.
O aperto sobre a circulação de informações na internet russa se intensificou após o início da ofensiva em larga escala contra a Ucrânia, em fevereiro de 2022. Opositores avaliam que as medidas têm como objetivo ampliar o controle do Estado sobre o fluxo de informações, e não proteger a população de ameaças externas.
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