Justiça dos EUA investiga corpos enterrados em rancho de Epstein
Autoridades do Novo México analisam denúncia anônima de 2019, que menciona morte de duas meninas na propriedade do bilionário
O Departamento de Justiça do Novo México anunciou na quarta-feira, 18, que investiga uma denúncia de que dois corpos teriam sido enterrados por ordem do financista Jeffrey Epstein, nas proximidades de seu rancho no estado.
A informação consta de um e-mail anônimo enviado em 2019, incluído num conjunto de documentos tornados públicos pelo Departamento de Justiça federal em dezembro de 2025.
A porta-voz da pasta estadual, Lauren Rodriguez, informou que o governo solicitou ao governo federal uma cópia sem censura do documento: “Estamos investigando ativamente essa denúncia e conduzindo uma revisão mais ampla à luz da última divulgação do Departamento de Justiça dos EUA”, afirmou Rodriguez, em resposta enviada à agência Reuters.
A denúncia
O e-mail foi enviado meses após a morte de Epstein, em 2019, a Eddy Aragon, apresentador de programa de rádio no estado, que havia discutido o Rancho Zorro em sua programação. O remetente dizia ser ex-funcionário da propriedade, e exigia o pagamento de um bitcoin em troca de vídeos que, segundo ele, teriam sido retirados da residência do financista e registrariam práticas sexuais com menores de idade.
A mensagem afirmava que duas meninas estrangeiras haviam sido enterradas por determinação de Epstein “em algum lugar nas colinas fora do Zorro”, e que as duas morreram “por estrangulamento durante sexo violento e fetichista”.
Um relatório do FBI, datado de 2021, também presente nos arquivos divulgados, registrou que Aragon compareceu a uma sede do órgão. O documento descreve o conteúdo da oferta: sete vídeos de abuso sexual e a localização dos corpos, em troca da quantia em criptomoeda.
Investigação ampliada
Na terça-feira, 17, um dia antes do anúncio da investigação, deputados do Novo México iniciaram uma investigação sobre alegações de que Epstein teria abusado sexualmente de meninas e mulheres no Rancho Zorro ao longo de mais de duas décadas. As apurações têm como ponto de partida os arquivos federais divulgados em dezembro de 2025.
Uma busca conduzida pela Reuters nos documentos publicados não localizou nenhuma outra referência às alegações contidas no e-mail de 2019. Também não há registros disponíveis sobre as conclusões a que os investigadores teriam chegado a respeito das afirmações do remetente.
O próprio Departamento de Justiça federal alertou, no ano passado, que parte dos arquivos divulgados sobre o caso Epstein “contém alegações falsas e sensacionalistas”, e que há acusações anônimas que os investigadores não puderam confirmar ou, em determinados casos, concluíram ser inverídicas. O órgão não respondeu a pedido de comentário sobre o caso específico. O FBI também não se manifestou.
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