Irã cede em acordo nuclear, diz mediador
Chanceler de Omã afirma que Teerã concordou em não acumular urânio enriquecido; Trump sinaliza insatisfação e não descarta ação militar
O chanceler de Omã, Badr Albusaidi, afirmou nesta sexta-feira, 27, que o Irã aceitou não armazenar urânio enriquecido em quantidades ou níveis compatíveis com o desenvolvimento de armamento nuclear. A declaração foi feita ao programa Face the Nation, da CBS News, após a mais recente rodada de negociações entre Teerã e Washington, realizada em Genebra.
Segundo Albusaidi, cujo país atua como intermediário no processo diplomático, os iranianos comprometeram-se a reduzir o material já estocado ao patamar mais baixo viável e a permitir o retorno de inspetores da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), com acesso irrestrito às instalações nucleares do país.
O que foi acordado, segundo Omã
Albusaidi descreveu as concessões iranianas em termos diretos: “Não haverá acúmulo, nem estocagem, e haverá verificação completa”. O diplomata também não afastou a possibilidade de que inspetores americanos participem do monitoramento.
O Irã possui, segundo estimativas, 400 quilogramas de urânio enriquecido a 60% o – concentração bem acima do limite estabelecido para uso em reatores civis (3,67%) e abaixo do patamar militar, que ultrapassa 90%.
Países ocidentais avaliam que esse nível de enriquecimento coloca Teerã a um passo de fabricar uma bomba atômica, o que o governo iraniano nega.
O acordo de 2015, firmado entre o Irã e potências ocidentais, permitia ao país manter 300 quilogramas de urânio enriquecido a no máximo 3,67%, em troca do levantamento de sanções econômicas.
Em 2018, o então presidente Donald Trump retirou os Estados Unidos do pacto e restabeleceu as restrições. A partir daí, Teerã abandonou os limites do acordo, acelerou o enriquecimento e passou a obstruir inspeções da AIEA.
Trump sinaliza impaciência e pressão militar
Apesar dos sinais de avanço relatados pelo mediador omanense, Trump declarou que “não estamos satisfeitos com a forma como negociaram”. O presidente americano reafirmou que o regime iraniano “não pode ter armas nucleares” e, ao ser questionado sobre a presença militar americana na região, disse que “adoraria não precisar usá-las, mas às vezes é necessário”.
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