Impressão digital de 4.000 anos é descoberta no Egito
Uma antiga peça cerâmica do Egito voltou a ganhar destaque após a identificação de uma impressão de mão com cerca de 4 mil anos.
Uma antiga peça cerâmica do Egito voltou a ganhar destaque após a identificação de uma impressão de mão com cerca de 4 mil anos.
O vestígio foi encontrado na base de um modelo de argila usado em rituais funerários, revelando um raro contato direto com quem produziu o artefato e reacendendo o interesse pela vida e pelo trabalho dos artesãos responsáveis por muitos objetos preservados em tumbas egípcias.
O que é uma casa da alma no Antigo Egito?
A chamada “casa da alma” é um modelo arquitetônico em argila ligado a ritos funerários, depositado em sepulturas para garantir uma morada simbólica à alma após a morte.
Em geral, apresentava uma área aberta frontal para alimentos, bebidas e outras oferendas, essenciais à continuidade da existência no além-túmulo.
Datada de aproximadamente 2055 a 1650 a.C., essa casa da alma pertence ao Médio Império e apresenta dois pavimentos em argila, com espaço aberto para pão, hortaliças ou partes de animais.

Como foi identificada a impressão de mão de 4 mil anos?
A impressão de mão foi identificada na parte inferior do modelo de argila, normalmente invisível em exposição.
Conservadores a notaram ao preparar uma mostra sobre técnicas de fabricação no passado, percebendo que o oleiro tocou a peça quando a argila ainda estava úmida.
Durante a queima, a madeira foi consumida, e a marca da mão, impressa na argila fresca, foi fixada de forma permanente, algo incomum em cerâmicas egípcias.
O que a técnica de produção revela sobre o trabalho do oleiro?
A técnica empregada revela uma rotina de oficina estruturada, que combinava planejamento, habilidade manual e conhecimento do comportamento da argila. A casa da alma evidencia etapas sucessivas de trabalho, desde a coleta do material até a colocação da peça no túmulo.
Entre os principais aspectos técnicos que podem ser observados nesse modelo cerâmico estão:
- Uso de armação interna de madeira para sustentar os andares representados.
- Aplicação gradual de camadas de argila, ajustando espessura e estabilidade.
- Marcas de ferramentas, trincas de secagem e vestígios do manuseio manual.
- Queima controlada em forno, que preservou a impressão de mão ao endurecer a peça.
O que essa impressão de mão revela sobre os artesãos egípcios?
A impressão de mão em cerâmica egípcia funciona como um raro traço individual em meio à produção anônima. A abundância e o baixo custo da argila ao longo do Nilo indicam um ofício amplamente difundido, mas nem sempre valorizado em termos de status social.

Enquanto a história do Egito costuma focar faraós e elites, a enorme quantidade de artefatos escavados revela o trabalho contínuo de artesãos que produziam ushabtis, sarcófagos, estátuas, cerâmicas e elementos decorativos.
Qual é a importância arqueológica da casa da alma com impressão de mão?
A casa da alma do Egito Antigo com a impressão preservada oferece dados sobre rituais funerários e sobre técnicas de fabricação. Ela confirma o uso de modelos arquitetônicos como suportes de oferendas e detalha procedimentos de moldagem, secagem e queima.
Ao ser exibida em 2025 em uma mostra sobre “feito no Antigo Egito”, a peça será apresentada não só como objeto religioso, mas como registro de processo produtivo.
A impressão de mão convida o público a enxergar o gesto do artesão, aproximando passado e presente e destacando a dimensão humana por trás de cada artefato arqueológico.
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