Guiana terá de aceitar soberania da Venezuela sobre Essequibo, diz Maduro
EUA condenam “farsa eleitoral” promovida pelo ditador venezuelano e acusam regime de minar integridade territorial da Guiana
O ditador da Venezuela, Nicolás Maduro (foto), afirmou neste domingo, 25, que a Guiana “mais cedo do que nunca” terá de “aceitar a soberania” venezuelana sobre o território do Essequibo. A declaração foi dada após Maduro votar nas eleições que, pela primeira vez, escolheram representantes venezuelanos para atuar em assuntos relacionados ao território.
O pleito foi realizado após a aprovação de uma lei que transforma Essequibo em um dos 24 estados da Venezuela. A medida foi condenada pelo governo da Guiana e também pelos Estados Unidos, que classificaram a votação como uma “farsa eleitoral” e acusaram Caracas de tentar minar a integridade territorial guianense.
“Os EUA rejeitam todas as tentativas de Nicolás Maduro e seu regime ilegítimo de minar a integridade territorial da Guiana, inclusive essa última farsa eleitoral na região do Essequibo”, diz nota publicada pelo Departamento de Estado americano no X.
Ao sair da votação mais cedo, Maduro afirmou:
“Irfaan Ali, presidente da Guiana, funcionário da ExxonMobil, mais cedo ou mais tarde vai ter que se sentar comigo para conversar e aceitar a soberania venezuelana.”
A Guiana levou o caso ao principal tribunal da ONU, a Corte Internacional de Justiça (CIJ).
Mesmo com o território sob controle da Guiana, Caracas promoveu neste domingo a eleição de um governador, oito deputados e sete legisladores regionais para o Essequibo.
“É o nascimento da nova soberania venezuelana”, disse Maduro. “A República Cooperativa da Guiana tem sido uma ocupante ilegal como herança do império britânico”.
A CIJ chegou a pedir que as eleições fossem suspensas, mas Caracas ignorou a recomendação.
Controle do chavismo
O Conselho Nacional Eleitoral (CNE), dominado pelo chavismo, voltou a organizar o processo sem apresentar garantias de transparência.
A atuação do órgão foi amplamente questionada na eleição presidencial de 2024, quando declarou vitória de Maduro com 51% dos votos, sem divulgar as atas. A oposição, por sua vez, afirma que Edmundo González venceu com 67%.
Organizações internacionais como o Carter Center relataram graves irregularidades e afirmaram não haver elementos para confirmar a vitória de Maduro.
Repressão e prisões
Às vésperas da votação, o governo anunciou a prisão de cerca de 50 pessoas — algumas estrangeiras — por suposta conspiração.
Entre os detidos estão aliados de María Corina Machado e o opositor Juan Pablo Guanipa, sequestrado na sexta-feira, segundo denúncias.
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Comentários (1)
Fabio B
25.05.2025 17:36O Brasil não tem moral alguma para manter a "ordem" na região, mas se chamar muito a atenção e o olho de Sauron resolver se virar para cá, não é difícil tornar a Floresta Amazônica inteira como um "protetorado" da America.