Grupo de geólogos faz importante descoberta tectônica que impacta Espanha e Portugal
A Península Ibérica atua como uma ponte rígida, porém não totalmente estável, entre o Atlântico e o Mediterrâneo ocidental.
A região que abrange Espanha e Portugal está inserida em um cenário complexo de placas tectônicas, onde a convergência lenta entre as placas Euroasiática e Africana continua a moldar a paisagem, gerar deformações na crosta e produzir sismos de baixa a moderada magnitude, mesmo longe dos limites clássicos de placas.
Contexto da convergência entre África e Eurásia na Península Ibérica
Desde a orogenia Alpina, a aproximação gradual entre África e Eurásia reorganiza blocos continentais e oceânicos de diferentes idades.
Fragmentos de microplacas, domínios oceânicos relictos e antigos cinturões montanhosos conferem respostas distintas às tensões atuais.
Em termos gerais, a placa Euroasiática move-se apenas alguns milímetros por ano em relação à Africana, mas, ao longo de milhões de anos, isso gera dobramentos, falhas, subsidência de bacias e elevação de cadeias.
A Península Ibérica atua como uma ponte rígida, porém não totalmente estável, entre o Atlântico e o Mediterrâneo ocidental.
Como a microplaca Ibérica e o domínio de Alborán influenciam a deformação
Na convergência África–Eurásia, destacam-se a antiga microplaca Ibérica e o domínio de Alborán, localizados entre o sul da Península Ibérica e o norte da África.
A microplaca Ibérica já teve movimento relativo próprio, enquanto Alborán registra episódios de subducção, extensão e compressão.
Esses blocos apresentam crosta de espessura e reologia variadas, fazendo com que a deformação se concentre em faixas específicas.
Áreas com crosta mais fina, como o mar de Alborán e margens do Arco de Gibraltar, absorvem grande parte da compressão, enquanto setores atlânticos funcionam como zonas de transmissão de tensões.
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Quais são as principais placas tectônicas da Península Ibérica e arredores
Com base em sismicidade, geodesia por satélite e modelagem numérica, a região pode ser dividida em grandes domínios tectônicos com comportamentos próprios.
Essa compartimentação ajuda a entender onde a energia é acumulada e liberada.
- Setor Atlântico: crosta oceânica em interação com margens ibéricas e africanas, transmitindo diretamente as tensões de convergência.
- Arco de Gibraltar: zona de transição Atlântico–Mediterrâneo, com estruturas arqueadas, falhas inversas e subducção relicta.
- Domínio de Alborán: crosta continental afinada, com combinação de compressão e extensão e sismicidade dispersa.
- Zona Argelino-Balear: Mediterrâneo ocidental entre o norte da África e as Baleares, com geometrias de falhas e taxas de deformação distintas.
Quais métodos são usados para estudar tensões e deformações na região
Geólogos e geofísicos utilizam um conjunto integrado de ferramentas para decifrar a dinâmica tectônica entre Espanha, Portugal e mares adjacentes.
A combinação de dados permite avaliar tanto deformações horizontais quanto processos verticais.
Entre os métodos mais empregados estão catálogos de sismicidade, redes GPS, técnicas InSAR, modelagem geodinâmica e estudos de campo de falhas ativas.
Esses resultados indicam que, mesmo no interior das placas, a compressão regional e ajustes isostáticos continuam atuando.
Quais são os impactos atuais da dinâmica tectônica na Península Ibérica
A persistência da dinâmica tectônica na Península Ibérica tem implicações diretas para o planejamento territorial e a gestão de riscos em Espanha e Portugal.
Zonas como o Golfo de Cádiz, o Estreito de Gibraltar e o mar de Alborán exibem sismicidade moderada que exige monitoramento contínuo.
Além do risco sísmico, o entendimento da evolução tectônica é essencial para interpretar a formação de bacias sedimentares, recursos geológicos e a morfologia costeira.
A convergência lenta entre África e Eurásia indica que esse cenário geodinâmico permanecerá ativo por longos períodos geológicos.
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