Governo Trump avalia restringir exportação de softwares críticos à China
Secretário do Tesouro dos EUA confirma estudo de controles que proibiriam a compra chinesa de ampla gama de programas americanos
O governo dos Estados Unidos estuda a imposição de limites à exportação de um extenso rol de softwares essenciais para a China, de acordo com declaração dada pelo secretário do Tesouro americano, Scott Bessent, nesta quarta-feira, 22. A iniciativa, ainda sob avaliação na Casa Branca, seria uma resposta Pequim, diante restrições anunciadas sobre minerais de terras-raras e taxas portuárias contra navios americanos.
O secretário Bessent afirmou que “tudo está na mesa”, ao ser questionado sobre a possibilidade de barrar a exportação de softwares para a nação asiática. Ele detalhou que, caso os controles de exportação sejam implementados, eles abrangeriam softwares, motores ou outros itens, e seriam coordenados com aliados do G-7.
A notícia de que os EUA consideravam medidas similares às impostas contra a Rússia, após a invasão da Ucrânia, causou movimentação no mercado financeiro. Ações de empresas de tecnologia foram afetadas, resultando em um dia desfavorável para as big techs americanas.
Ainda não há clareza sobre o estágio de avanço desta iniciativa. Restrições tecnológicas amplas poderiam desestabilizar uma economia americana já sensível, que ainda absorve o impacto das tarifas estabelecidas pelo presidente Donald Trump.
Controles de exportação de software já foram aplicados contra a Rússia em anos recentes. Entre os exemplos de programas que sofreram limitações estão os de planejamento de recursos empresariais (ERP), gestão de relacionamento com clientes (CRM) e projeto auxiliado por computador (CAD).
Negociações e alavancagem comercial
O presidente Donald Trump havia declarado, no início do mês, que imporia uma tarifa adicional de 100% à China. O presidente também ameaçou aplicar controles sobre “todo e qualquer software crítico” a partir do começo do próximo mês. Tais ações seriam uma resposta às limitações chinesas no fluxo de minerais de terras-raras. Estes minerais são importantes para a fabricação de motores, semicondutores e jatos de combate.
Scott Bessent destacou que autoridades americanas de alto escalão estão entrando nas negociações com o governo chinês com “boas intenções” e “grande respeito”. Washington e Pequim frequentemente adotam o padrão de antecipar ações comerciais punitivas antes das rodadas de negociação. Esta tática visa alavancar seus ativos de barganha em conversas destinadas a diminuir obstáculos comerciais entre as duas principais economias globais.
Trump previu que as conversas planejadas para a próxima semana com o presidente chinês, Xi Jinping, culminarão em um “bom acordo” sobre o comércio. O presidente disse que, apesar do otimismo, espera ter uma “reunião relativamente longa” com Xi.
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