Fungos negros de Chernobyl desafiam radiação e podem ajudar em missões espaciais
Pesquisa com fungos negros que se alimentam de radiação determina que eles podem ser utilizados em viagens espaciais
Pesquisas recentes revelam que fungos encontrados nas ruínas radioativas de Chernobyl resistem à radiação e até utilizam-na possivelmente como fonte de energia. Esse achado abre portas para aplicações na descontaminação e proteção contra radiação em ambientes extremos, inclusive no espaço.
O que são os fungos negros encontrados em Chernobyl?
Nas áreas mais contaminadas da zona de exclusão, foi detectado um conjunto de fungos de coloração escura, conhecidos como “fungos negros” ou radiotróficos, que se fixam nas paredes dos prédios do complexo nuclear. Esses organismos se destacam por sobreviver onde praticamente nada mais resiste.
Uma das espécies mais estudadas é a Cladosporium sphaerospermum. Diferente da maioria dos seres vivos, ela não apenas tolera a radiação ionizante como parece prosperar em sua presença.

Como o fungo pode “usar” radiação como energia?
O segredo desses fungos está em um pigmento chamado melanina. Pesquisadores acreditam que esse pigmento permite que o fungo absorva radiação e a converta em energia química, um processo análogo à fotossíntese nas plantas, chamado de “radiossíntese”.
Se confirmado, esse mecanismo representaria uma adaptação impressionante: vida capaz de usar radiação radioativa como recurso energético, invertendo a lógica de que radiação é apenas uma ameaça biológica.
Por que o interesse de cientistas e agências espaciais?
A possível radiossíntese e a resistência do fungo a níveis extremos de radiação despertam a atenção para usos além da Terra. Já foram realizadas experiências levando amostras para o espaço, com o objetivo de analisar seu comportamento diante da radiação cósmica.
Se esses fungos forem capazes de absorver radiação de forma eficaz fora da Terra, eles poderiam servir como um “escudo biológico” para proteger astronautas e equipamentos em missões espaciais de longa duração.
🚨 SPACE JUST FOUND ITS FIRST SUPERHERO – AND IT’S A FUNGUS FROM CHERNOBYL
— Mario Nawfal (@MarioNawfal) December 2, 2025
Of all the things humanity expected to save astronauts from cosmic radiation, a jet-black mold thriving in the ruins of a nuclear disaster was… not on the bingo card.
Meet Cladosporium sphaerospermum -… pic.twitter.com/8rbAamJiyu
Possíveis aplicações na descontaminação e tecnologia
Além da exploração espacial, a adaptação desses fungos pode abrir caminhos para descontaminação de áreas radioativas. Eles poderiam atuar como “biocatalisadores naturais”, ajudando a degradar ou neutralizar ambientes contaminados.
Outra aplicação considerada é o desenvolvimento de materiais ou sistemas de proteção inspirados nesses organismos, com melanina ou estruturas semelhantes, para criar escudos mais eficientes contra radiação terrestre ou cósmica.
Quais são as incertezas que ainda cercam a descoberta?
Apesar do potencial, a hipótese de que os fungos realmente convertem radiação em energia de forma eficiente ainda não foi comprovada plenamente. Até o momento não há evidência definitiva de ganho metabólico mensurável ou produção energética clara via radiação.
Além disso, nem todas as espécies pigmentadas demonstram o mesmo comportamento, o que sugere que essa característica pode depender de fatores específicos como tipo de fungo, ambiente e intensidade da radiação.
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