França celebra “dia histórico” após queda de Assad na Síria
“Agora é o momento da unidade”, diz em comunicado o Ministério das Relações Exteriores francês
A França celebrou neste domingo, 8, a queda do regime de Bashar al-Assad, na Síria.
Em comunicado, o Ministério das Relações Exteriores francês classificou o dia de hoje como “histórico para a Síria e para o povo sírio” devido ao fim do regime de Assad, após “mais de 13 anos de repressão e grande violência”.
Bashar al-Assad deixa um país “esvaziado de uma grande parte da sua população que, se não foi para o exílio, foi massacrada, torturada e bombardeada com armas químicas pelo regime e pelos seus aliados”, afirmou o ministério.
“Agora é o momento da unidade”, segue a pasta, que apelou para o “silêncio das armas, à preservação das instituições do Estado, ao respeito pela soberania e integridade territorial da Síria”.
Também defendeu “uma transição política pacífica que respeite a diversidade do povo sírio, protegendo os civis e todas as minorias, em conformidade com o direito internacional”, em rejeição a “qualquer forma de extremismo”.
A diplomacia francesa convidou ainda os seus parceiros a fazerem tudo o possível para ajudar os sírios a entrar “no caminho da reconciliação e da reconstrução através de uma solução política inclusiva” e que respeita “a vontade do povo”.
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Reações internacionais
O enviado especial da ONU para a Síria, Geir Pedersen, pediu negociações urgentes para garantir uma transição política ordenada, em conformidade com a Resolução 2254 da ONU, que prevê a formação de um governo transitório e eleições supervisionadas.
Os Estados Unidos, sob a administração do governo Joe Biden, afirmaram estar monitorando a situação de perto. Enquanto isso, o presidente eleito Donald Trump reafirmou que o país não deve se envolver diretamente no conflito.
A queda de Assad
Rebeldes sírios anunciaram neste domingo a fuga de Bashar al-Assad de Damasco, após uma ofensiva relâmpago que culminou na tomada da capital da Síria.
Fontes militares citadas pela Reuters confirmaram que o ditador deixou a cidade em direção a um destino desconhecido, enquanto forças opositoras entraram na capital sem enfrentar resistência.
Multidões celebraram nas ruas da cidade, com gritos de “Liberdade” e tiros de comemoração. Imagens que circulam nas redes sociais mostram estátuas de Hafez al-Assad, pai de Bashar e responsável pelo início do regime familiar há cinco décadas, sendo derrubadas e pisoteadas.
Na TV estatal, rebeldes anunciaram “a queda do tirano Bashar Assad” e declararam a libertação de prisioneiros. O grupo também pediu à população para proteger a propriedade pública e evitar revanchismos.
A ofensiva, liderada pelo grupo jihadista Hayet Tahrir al-Sham (HTS), avançou rapidamente desde o início de dezembro, conquistando cidades estratégicas como Homs e subúrbios de Damasco. Esse é o maior revés militar sofrido pelo regime sírio desde o início da guerra civil em 2011, que já causou mais de 500 mil mortes.
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