Filhote de gorila é adotada pelo grupo após a morte da mãe
Entre as histórias que surgem nas florestas de montanha da África Central, a trajetória da jovem gorila Urusobe tem chamado a atenção
Entre as histórias que surgem nas florestas de montanha da África Central, a trajetória da jovem gorila Urusobe tem chamado a atenção de pesquisadores.
Órfã desde o início de 2023, quando perdeu a mãe Ndamunbanzi perto dos 3 anos de idade, ela atravessa uma fase crítica em que filhotes começam a ganhar autonomia, mas ainda dependem de cuidados próximos.
Em cenários assim, a sobrevivência é incerta, o que torna cada passo de seu desenvolvimento acompanhado de perto pela equipe que monitora o grupo Kwisanga, no Parque Nacional dos Vulcões, em Ruanda.
Estrutura social do grupo Kwisanga em torno de Urusobe
Inserida em um grupo familiar com 14 gorilas de diferentes idades, Urusobe encontrou uma rede de apoio que substitui parcialmente o cuidado materno.
Esse grupo, estudado pelo Fossey Fund, oferece um retrato raro de como a vida em sociedade pode compensar a perda precoce da mãe em uma espécie altamente social como o gorila de montanha.
O caso também ilustra a importância de grupos estáveis para filhotes vulneráveis. A presença de múltiplos parentes, aliados e adultos experientes cria um ambiente em que proteção, aprendizado e socialização continuam mesmo após um trauma inicial.

O que significa a expressão gorila órfã na pesquisa científica
Perder a mãe antes dos 3 anos costuma elevar o risco de mortalidade, tornando essencial avaliar os vínculos sociais disponíveis após a perda.
Pesquisas indicam que o desfecho depende da qualidade das relações com adultos e jovens do grupo.
Fatores como proteção física, apoio emocional e oportunidades de aprendizado influenciam a saúde, o comportamento e as chances de integração futura do órfão.
Como os adultos assumem o cuidado do gorila órfão
No grupo Kwisanga, a função de cuidador principal de Urusobe foi inicialmente assumida por Lisanga, o segundo macho de dorso prateado mais velho.
Ele garantia que a jovem não se afastasse do grupo, compartilhava ninhos e realizava grooming, reduzindo o estresse da perda materna.
Com mudanças na dinâmica social, o silverback Kigoma passou a ocupar o papel central de protetor.
Essa transição mostra a flexibilidade da organização social dos gorilas, em que diferentes adultos podem reconfigurar suas funções diante de eventos inesperados.
Como o grupo substitui o cuidado materno na prática
Quando um gorila órfão perde a mãe cedo, o grupo pode funcionar como “família ampliada”.
No caso de Urusobe, irmãos, jovens machos e avós atuam como cuidadores alternativos, oferecendo companhia, brincadeiras e intervenções em situações de risco.
Esses comportamentos se manifestam em diversas ações observadas em campo:
- Proteção contra ameaças de outros gorilas e do ambiente.
- Compartilhamento de ninhos para aquecimento e segurança noturna.
- Brincadeiras guiadas, com adultos controlando a intensidade.
- Aproximação física frequente, reduzindo estresse e ansiedade.
Lições de Urusobe para a conservação de gorilas órfãos
A trajetória de Urusobe mostra que traumas precoces não determinam, por si só, um futuro negativo.
O fator decisivo é o contexto social após a perda, incluindo acesso a cuidadores confiáveis, estabilidade do grupo e habitat protegido, aspectos hoje priorizados em planos de manejo.
Seu comportamento exploratório, equilibrado por uma forte busca por segurança, reforça a necessidade de monitorar não apenas o número de gorilas, mas também a qualidade das relações internas.
Estudos como esse orientam ações que valorizam grupos coesos, florestas bem conservadas e redes de apoio social capazes de sustentar o desenvolvimento de gorilas órfãos até a vida adulta.
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