Filha de María Corina recebe Nobel da Paz em nome da mãe
Líder da oposição venezuelana a Maduro não conseguiu chegar a Oslo a tempo da cerimônia
Ana Corina Sosa recebeu nesta quarta-feira, 10, o prêmio Nobel da Paz em nome de sua mãe, María Corina Machado, líder da oposição venezuelana ao ditador Nicolás Maduro.
A ausência da líder opositora na cerimônia, realizada na Prefeitura de Oslo, capital da Noruega, foi confirmada mais cedo pelo secretário do Comitê Norueguês do Nobel, Kristian Berg Harpviken.
María Corina, no entanto, deve chegar a Oslo ainda nesta quarta.
“Bem, pessoalmente, vou lhe contar o que tivemos que passar e todas as pessoas que arriscaram suas vidas para que eu pudesse chegar a Oslo. E sou muito grata a elas, e isso é uma prova do que esse reconhecimento significa para o povo venezuelano. Quero que você saiba disso. Então, vamos começar, porque preciso embarcar agora. Preciso entrar no avião”, disse a venezuelana em conversa, por telefone, com o presidente do Comitê Norueguês do Nobel, Jørgen Watne Frydnes.
Durante a cerimônia, Ana Corina Sosa leu o discurso de sua mãe. Eis alguns trechos:
“Edmundo González venceu com 67% dos votos em todos os estados, cidades e municípios. Todas as atas de apuração contavam a mesma história. Em questão de horas, conseguimos digitalizá-las e publicá-las em um site para que o mundo inteiro pudesse vê-las.
A ditadura respondeu com terror. Duas mil e quinhentas pessoas foram sequestradas, desapareceram ou foram torturadas. Suas casas foram marcadas e famílias inteiras foram feitas reféns. Padres, professores, enfermeiras, estudantes: todos perseguidos por terem participado das eleições. Crimes contra a humanidade, documentados pelas Nações Unidas; terrorismo de Estado, usado para sufocar a vontade do povo.
Mais de 220 adolescentes presos após as eleições foram eletrocutados, espancados e sufocados até serem forçados a contar a mentira que o regime precisava espalhar: que eu os havia pago para protestar. Mulheres e adolescentes presos hoje ainda são submetidos à escravidão sexual, forçados a suportar abusos em troca de uma visita familiar, uma refeição ou o simples direito de tomar banho.
Durante esses dezesseis meses na clandestinidade, construímos novas redes de pressão cívica e desobediência disciplinada, preparando-nos para uma transição ordenada para a democracia.
(…) A Venezuela voltará a respirar. Abriremos as portas das prisões e veremos o sol nascer sobre milhares de inocentes que foram injustamente encarcerados, finalmente abraçados por aqueles que nunca deixaram de lutar por eles. Veremos avós sentarem seus netos no colo para contar histórias, não de heróis distantes, mas da coragem de seus próprios pais.
(…) Aos milhões de venezuelanos anônimos que arriscaram seus lares, suas famílias e suas vidas por amor. Aquele mesmo amor do qual nasce a paz, o amor que nos sustentou quando tudo parecia perdido e que hoje nos une e nos guia rumo à liberdade. Esta honra pertence a eles. Este dia pertence a eles. O futuro pertence a eles.”
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