Ferramenta de 2.300 anos é encontrada e sugere que os celtas já praticavam cirurgia craniana
Achado traz novas evidências sobre a prática da trepanação, uma técnica médica antiga que consistia em perfurar o crânio humano.
Em uma recente descoberta no assentamento celta fortificado de Łysa Góra, na região de Mazóvia, Polônia, arqueólogos encontraram uma ferramenta de ferro datando de aproximadamente 2.300 anos.
Este achado traz novas evidências sobre a prática da trepanação, uma técnica médica antiga que consistia em perfurar o crânio humano.
Essa prática cirúrgica remonta ao Neolítico e foi utilizada por diversas culturas ao redor do mundo. Com esta descoberta, foi possível confirmar que os celtas da Europa Central não só conheciam essa técnica como a realizavam com precisão.
O artefato encontrado, descrito como uma lâmina de ferro que se afunila até formar uma ponta, possivelmente foi montada em um cabo de madeira.
Proposto como um bisturi ou um escalpelo cirúrgico, este instrumento reflete a habilidade dos celtas em criar ferramentas cirúrgicas sofisticadas, algo que até então não havia sido evidenciado tão ao norte da Europa.
Este achado lança uma nova luz sobre a extensão cultural dos celtas, visto que instrumentos desse tipo eram geralmente localizados em regiões mais ao sul, como Romênia, Áustria ou Croácia.
Quais eram as práticas metalúrgicas dos celtas?
No lado noroeste de Łysa Góra, uma área com menor fortificação, arqueólogos desenterraram evidências de atividade metalúrgica avançada.
Resíduos de escória em forma de copo, típicos de fornos de fusão, foram encontrados junto com uma bigorna de ferro usada para forjar metais. Além disso, outros objetos metálicos, como machados e broches, também indicam um domínio tecnológico notável.
Estas descobertas revelam que os celtas possuíam um alto nível de habilidade metalúrgica, sendo capazes de produzir itens não apenas utilitários, mas também instrumentos cirúrgicos sofisticados.
Archaeologists in Poland have discovered a rare iron tool that the Celts used to perform cranial surgery 2,300 years ago.https://t.co/6GB6GIep6l#fossils #paleontology pic.twitter.com/VETh8O2miG
— Earth Archives (@EarthArchivesHQ) November 13, 2025
Por que os celtas praticavam a trepanação?
A trepanação envolvia perfurar o crânio humano, geralmente sem danificar a duramáter, a membrana protetora do cérebro. Essa prática visava vários propósitos: desde aliviar a pressão intracraniana devido a traumatismos até a remoção dos “espíritos malignos” ou o tratamento de doenças mentais, convulsões e dores de cabeça persistentes.
Durante o período hipocrático, considerava-se crucial permitir a evacuação de sangue estagnado para prevenir infecções.
No contexto celta, é possível que essa técnica tivesse um componente tanto medicinal quanto mágico-religioso, possivelmente sendo realizada por curandeiros, xamãs ou até druidas.
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Os celtas realmente usavam ferramentas cirúrgicas?
Embora ainda não tenham sido encontrados restos humanos em Łysa Góra com evidências de trepanação, a descoberta deste instrumento sugere que poderia ter sido parte do equipamento comum de um praticante de medicina.
Além disso, o fato de ter sido encontrado em um contexto doméstico e não em um túmulo indica que poderia ter sido usado na prática regular da medicina celta. Łysa Góra se destaca como um importante ponto estratégico celta.
Objetos de âmbar, bronze e ferro encontrados conectam os celtas a redes comerciais que se estendiam do Báltico ao Mediterrâneo, evidenciando que essa comunidade não era meramente nômade, mas sim uma sociedade bem estruturada, com membros especializados na medicina e na metalurgia.
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