EUA pressionam aliados sobre possível guerra contra China
Financial Times revela que EUA pressionam Japão e Austrália a esclarecerem qual seria seu papel em um conflito militar entre Taiwan e China
Os Estados Unidos estão pressionando Japão e Austrália a esclarecerem, com antecedência, qual seria seu papel em um eventual conflito militar envolvendo Taiwan e a China.
A revelação foi feita pelo Financial Times, que aponta como articulador dessa abordagem o ex-subsecretário de Defesa Elbridge Colby, hoje subsecretário de Defesa para Política do governo Trump na área de segurança.
A movimentação faz parte de uma tentativa dos EUA de alinhar suas principais alianças militares na Ásia diante da crescente ameaça representada por Pequim.
Segundo o jornal britânico, Colby está realizando reuniões privadas com representantes dos dois países, exigindo respostas diretas sobre o que cada um estaria disposto a fazer caso a China inicie uma ofensiva contra a ilha.
Essa pressão representa uma guinada importante em relação à política tradicional de “ambiguidade estratégica” dos EUA sobre Taiwan.
Fontes próximas às negociações relataram ao Financial Times que as perguntas feitas por Colby causaram desconforto e surpresa. Tanto Austrália quanto Japão consideram que ainda não há garantias claras dos próprios Estados Unidos de que irão à guerra por Taiwan, o que dificulta assumir compromissos formais por antecipação.
A reportagem menciona que, do lado japonês, autoridades de Defesa consideraram a cobrança “muito delicada” e afirmaram que qualquer envolvimento dependeria da análise constitucional e das circunstâncias no momento de um eventual conflito.
Já a Austrália, segundo o ministro da Indústria de Defesa Pat Conroy, declarou à Reuters que o país “não assume compromissos antecipados em relação a guerras hipotéticas”, reiterando que qualquer decisão será tomada com base na soberania nacional e no contexto da ocasião.
A movimentação dos EUA ocorre em um momento de aumento da atividade militar chinesa no Indo-Pacífico. Reportagem do Wall Street Journal descreveu recentemente como navios e aviões militares da China vêm realizando simulações de bloqueios e cercos a Taiwan, o que autoridades americanas consideram ensaios para uma possível invasão.
Ao mesmo tempo, os EUA ampliam sua presença na região com novos sistemas de mísseis, bases militares e exercícios conjuntos. No mais recente, o Talisman Sabre, a Austrália reuniu milhares de soldados ao lado de tropas americanas e japonesas — uma demonstração de força interpretada como recado à China.
A postura de Washington, reforçada pela retórica nacionalista da atual administração republicana, pode redefinir as alianças militares no Indo-Pacífico. Ao cobrar publicamente uma definição dos seus aliados mais próximos, os EUA colocam à prova o equilíbrio entre dissuasão militar e diplomacia na disputa por Taiwan.
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Comentários (1)
Denise Pereira da Silva
14.07.2025 11:39Toda guerra é hipotética até se concretizar. E quando se concretizam, pode ser tarde demais para ofensivas e/ou defensivas. Hipóteses formuladas a partir de dados realistas servem como precaução.