EUA lideram diálogo entre Israel e Síria após sete décadas de hostilidade
Negociações sobre segurança de fronteira e presença iraniana marcam novo avanço da diplomacia americana no Oriente Médio
Os Estados Unidos assumiram a liderança das conversas entre Israel e Síria, o primeiro contato direto entre os dois países em mais de sete décadas de hostilidade.
As tratativas, sob coordenação do presidente Donald Trump, discutem um acordo de segurança para reduzir violência na fronteira entre os países e conter a influência de milícias apoiadas pelo Irã no sul da Síria. O avanço ocorre após a visita do presidente Ahmed al-Sharaa à Casa Branca, a primeira de um chefe de Estado sírio desde 1946.
Diplomatas americanos afirmam que o entendimento em discussão toma como base o acordo de 1974, firmado depois da Guerra do Yom Kippur, e prevê a reativação de zonas neutras supervisionadas pela ONU.
O plano busca restabelecer as posições militares anteriores à ofensiva de 2024, quando tropas israelenses ocuparam uma área nas Colinas de Golã.
O Ministério das Relações Exteriores da Síria classificou as negociações como de natureza técnica e limitadas ao campo da segurança.
Em Jerusalém, integrantes do gabinete de segurança reconheceram que o canal mediado pelos Estados Unidos cria “condições inéditas” para estabilizar a fronteira norte. Apesar disso, as conversas seguem em caráter indireto, sem encontros formais entre representantes sírios e israelenses.
O governo americano trata o diálogo como um dos maiores êxitos da política externa de Trump.
Ao reduzir o alcance do Irã e restaurar mecanismos de vigilância internacional, Washington recupera protagonismo em uma região onde sua influência vinha diminuindo desde o início da guerra civil síria.
O alívio parcial das sanções da Lei César, anunciado pelo Departamento do Tesouro, foi decisivo para destravar as conversas.
A adesão da Síria à coalizão internacional contra o Estado Islâmico consolidou o novo alinhamento. Analistas observam que o pragmatismo de Sharaa e a diplomacia de Trump abriram um raro espaço de cooperação entre antigos inimigos.
Mesmo sem previsão de tratado formal, o simples fato de Israel e Síria voltarem a negociar sob liderança americana já redefine o equilíbrio de forças no Oriente Médio e reforça o papel dos Estados Unidos como mediador.
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