EUA iniciam exercícios militares no Oriente Médio
Manobras buscam validar capacidade de resposta militar enquanto Washington aumenta pressão sobre programa nuclear de Teerã
O Comando Central dos Estados Unidos deu início a uma série de exercícios de prontidão aérea no Oriente Médio, enquanto as advertências da Casa Branca aumentam a tensão na região. O governo do Irã afirma que a presença norte-americana gera instabilidade e ameaça tratar como oponentes as nações vizinhas que colaborarem com eventuais ataques.
As operações programadas para vários dias têm como objetivo testar a mobilização e a manutenção do poder aéreo em áreas amplas. Segundo o comunicado oficial, as manobras devem aprimorar parcerias locais e validar táticas de comando integrado entre diferentes nações. O grupo de ataque liderado pelo porta-aviões Abraham Lincoln foi redirecionado do Mar do Sul da China para reforçar o contingente no Golfo Pérsico.
“Nossos aviadores estão provando que podem se dispersar, operar e gerar missões de combate em condições exigentes – com segurança, precisão e ao lado de nossos parceiros”, afirmou Derek France, comandante das operações aéreas do Comando Central. France declarou que o objetivo é assegurar o cumprimento do dever de manter as tropas preparadas para agir onde for necessário.
A movimentação ocorre após episódios de conflito direto, incluindo bombardeios anteriores a postos atômicos iranianos.
O governo dos EUA utiliza a presença militar como ferramenta de coação para que Teerã aceite novos termos sobre sua produção nuclear. Donald Trump indicou interesse em uma paralisação total das atividades atômicas do país asiático, similar ao que foi exigido de outros governos sob sanções.
Riscos regionais e instabilidade política
Relatórios de inteligência indicam que o governo do Irã enfrenta o período de maior vulnerabilidade desde 1979. Protestos internos e a piora nos indicadores econômicos fragilizaram o controle estatal sobre diversos setores da sociedade. Donald Trump mencionou que o regime manifestou desejo de dialogar.
“Eles (Irã) querem fechar um acordo. Eu sei disso. Ligaram em diversas ocasiões. Eles querem conversar”, declarou o presidente norte-americano em entrevista recente. No entanto, a possibilidade de uma queda abrupta do governo gera incertezas sobre a segurança regional e a futura governança do país.
Analistas apontam que a saída da atual gestão poderia levar ao poder grupos com posições ainda mais rígidas quanto ao desenvolvimento de armamentos. “O regime pode cair e uma democracia pró-Ocidente pode emergir, mas um cenário igualmente plausível é o surgimento de um governo ainda mais linha-dura, ainda mais ávido por desenvolver armas nucleares e utilizar seu arsenal de mísseis”, avaliou Nate Swanson, do Atlantic Council.
Teerã mantém a postura de contra-ataque a qualquer intervenção externa. O vice-chefe da Guarda Revolucionária, Mohammad Akbarzadeh, advertiu que “países vizinhos que são nossos amigos, mas que permitam que seu solo, céu e águas sejam usados contra o Irã, passarão a ser considerados hostis”.
Em diálogo diplomático, o presidente Masoud Pezeshkian conversou com o príncipe herdeiro da Arábia Saudita sobre a segurança na região. Mohammad bin Salman expressou intenção de colaborar pela paz e declarou que não considera admissível qualquer tipo de agressão contra o território iraniano. O líder saudita busca manter o equilíbrio entre a aliança com Washington e a estabilidade com Teerã.
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