EUA alertam cidadãos a deixar o Irã imediatamente
Embaixada cita risco de violência, prisões, bloqueios de internet e cancelamento de voos diante da escalada de protestos contra o regime
A Embaixada dos Estados Unidos no Irã emitiu um alerta nesta segunda-feira, 12, pedindo para que os cidadãos americanos deixem o país “imediatamente” em razão da escalada de protestos contra o regime do aiatolá Ali Khamenei (foto).
“Os protestos em todo o Irã estão se intensificando e podem se tornar violentos, resultando em prisões e feridos. Medidas de segurança reforçadas, fechamento de estradas, interrupções no transporte público e bloqueios da internet estão em curso. O governo iraniano restringiu o acesso a redes móveis, fixas e à internet nacional. As companhias aéreas continuam limitando ou cancelando voos de e para o Irã, com várias delas suspendendo suas operações até sexta-feira, 16 de janeiro.
Os cidadãos dos EUA devem esperar interrupções contínuas na internet, planejar meios alternativos de comunicação e, se for seguro fazê-lo,”, diz o comunicado.
Ação militar
No domingo, 11, o presidente americano Donald Trump afirmou que considera uma ação militar “muito forte” contra o regime do aiatolá Ali Khamenei devido à violenta repressão aos manifestantes que protestam no país.
“Parece que algumas pessoas que não deveriam ter morrido foram mortas. Esses atos foram violentos. Se você os chama de líderes, não sei se são líderes ou se apenas governam pela violência, mas estamos analisando a situação com muita seriedade. Os militares estão investigando e estamos considerando algumas medidas muito fortes. Tomaremos uma decisão. Alguns manifestantes morreram no tumulto. Eram muitos, e alguns foram baleados. Receberemos um relatório completo? Estou recebendo informações a cada hora. E tomaremos uma decisão”, disse o republicano a jornalistas a bordo do Air Force One.
Trump disse ainda que o Irã propôs negociações.
Diálogo aberto com os EUA
Teerã confirmou a informação nesta segunda-feira, 12.
“O canal de comunicação entre o nosso Ministro das Relações Exteriores, Abbas Araqchi, e o enviado especial dos EUA [Steve Witkoff] está aberto e as mensagens são trocadas sempre que necessário”, disse o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Esmaeil Baghaei.
Segundo o porta-voz, os contatos permanecem abertos por meio da Suíça, o intermediário tradicional entre os dois países.
“Eles [os EUA] abordaram alguns casos, ideias foram levantadas e, em geral, (…) a República Islâmica é um país que nunca saiu da mesa de negociações”, continuou.
Para o Irã, no entanto, que as “mensagens contraditórias” dos EUA demonstram falta de seriedade e não eram convincentes.
Mortos em protestos
Sediado nos EUA, o grupo de direitos humanos HRANA disse ter verificado a morte de 490 manifestantes no Irã, além de 48 membros das forças de segurança.
O grupo diz ainda que mais de 10.600 pessoas foram presas no país desde 28 de dezembro, quando os protestos começaram.
O Irã não divulgou um número oficial de mortos.
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