Economist repercute escândalo do Banco Master
"Esses laços reforçam a impressão entre os eleitores brasileiros de que a Suprema Corte do país carece de imparcialidade", diz trecho
A revista The Economist repercutiu o escândalo do Banco Master e a percepção crescente entre os brasileiros de que o Supremo Tribunal Federal (STF) carece de imparcialidade.
O texto detalha como Daniel Vorcaro, dono da instituição financeira, levava uma vida de luxo enquanto o modelo de negócio do Master se baseava na venda de certificados de depósito bancário (CDBs) com taxas de juros elevadas, mesmo sem que o banco possuísse liquidez.
“A saga poderia ter terminado aí. Mas os efeitos do colapso do Banco Master vão além do setor bancário, porque Vorcaro passou anos cultivando vínculos com a elite brasileira. O caso expôs ligações entre políticos, empresários e o judiciário em Brasília, prejudicando a reputação do Supremo Tribunal Federal (STF) e do Congresso Nacional.
No entanto, esses laços reforçam a impressão entre os eleitores brasileiros de que a Suprema Corte do país carece de imparcialidade”, diz a revista.
Alexandre Moraes
A reportagem também aborda os ministros do STF, destacando o contrato de US$ 24 milhões em três anos entre o Banco Master e o escritório de advocacia de Viviane Barci de Moraes, esposa de Alexandre de Moraes.
“A vagueza do contrato e os valores envolvidos são “anormais” segundo especialistas jurídicos. Pouco depois, um jornal revelou que Moraes havia telefonado ou se reunido com Gabriel Galípolo, chefe do Banco Central, várias vezes antes da liquidação do Banco Master.
A Procuradoria-Geral da República encerrou a investigação sobre o casal, alegando falta de evidências de má conduta. Moraes afirma que se encontrou com Galípolo para tratar de assuntos não relacionados ao Banco Master. No entanto, seu comportamento autoritário chamou atenção: em 14 de janeiro, abriu investigação sobre a Unidade de Inteligência Financeira e a Receita Federal, para apurar se haviam vazado informações sobre o contrato.”
Toffoli
O caso também envolve o ministro Dias Toffoli.
A revista relembra a viagem de Toffoli em jato particular com um advogado do Banco Master, na mesma época em que o sorteio do STF o designou para liderar o caso contra a empresa.
Além disso, cita o investimento de mais de US$ 1 milhão no resort Tayayá pertencente aos irmãos de Toffoli, reforçando a percepção de vínculos estreitos entre membros do judiciário e a elite de Brasília.
Políticos do Centrão
A reportagem cita ainda a atuação de políticos do Centrão contra as investigações.
Entre eles, o senador Ciro Nogueira, ex-chefe de gabinete de Bolsonaro, que teria tentado bloquear investigação do Congresso sobre o Banco Master e apoiou um projeto que daria ao Legislativo poder para demitir o presidente do Banco Central.
O texto também cita o governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha, que “defendeu com vigor a aquisição do Banco Master pelo BRB, mesmo com alertas de analistas contrários à operação”.
Até o cunhado de Vorcaro, Fabiano Zettel, é mencionado como maior doador individual da campanha de Bolsonaro em 2022 e da campanha de Tarcísio de Freitas, governador de São Paulo.
Gabriel Galípolo
Segundo a reportagem, o único claro vencedor do caso foi Gabriel Galípolo, chefe do Banco Central, que resistiu às pressões para salvar o Banco Master.
“Jesus foi obrigado a retirar sua investigação. Desde então, Galípolo pediu aos legisladores que concedam ao banco autonomia administrativa, orçamentária e financeira, além da já existente autonomia operacional. Isso daria ao banco mais poder de supervisão sobre instituições financeiras e o protegeria das manobras duvidosas de Brasília.“
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