“Drones do Irã na Venezuela têm alcance até a Flórida”, diz Leonardo Coutinho
Jornalista e diretor-executivo da SFS alerta que armamento representa risco imediato após queda do ditador Nicolás Maduro
O jornalista Leonardo Coutinho (foto, no meio), diretor-executivo do Center for a Secure Free Society, alertou para a ameaça imediata representada da capacidade militar iraniana em território venezuelano no período de transição após a captura do ditador Nicolás Maduro.
No Papo Antagonista desta sexta, 16, Coutinho afirmou que o regime chavista dispõe de drones iranianos da classe Mohjaer, com alcance de chegar até a Flórida, nos Estados Unidos.
Segundo Coutinho, também há o risco de que esse armamento caia nas mãos de uma dissidência militar – em um cenário de fragmentação interna – ou seja vendido para grupos como as FARC, abrindo brecha para ataques terroristas.
“A Venezuela recebeu drones, recebeu lanchas rápidas que são as mesmas que os [Rebeldes] Houthis usam para fazer os ataques deles no Oriente Médio. E os drones, da classe Mohjaer, são os mesmos drones que a Rússia realiza na guerra de agressão contra a Ucrânia. O Irã trouxe pro nosso continente, trouxe para a Venezuela, equipamentos muito modernos e que estão à disposição das forças armadas venezuelanas.
Mas o equipamento continua nas mãos das autoridades venezuelanas. Com o desmantelamento do regime, em um cenário que esse regime está cada vez mais acéfalo e sendo disputados por facções do chavismo, essas armas podem cair nas mãos erradas. Nas mãos de uma dissidência militar.
Esses drones, se acionados, têm alcance de chegar até a Flórida. São drones com boa capacidade de voo e se esses drones forem vendidos, contrabandeados para grupos como FARC… Há relatos de que há drones com menos eficiência do que os Mohjaer nas mãos desses grupos como o ELN. Se esse equipamento sai do controle, abre brecha para risco de ataques terroristas e assimétricos, como a gente chama, que são ataques de atores não-estatais podendo dar origem a conflitos locais“, afirmou ao Papo Antagonista.
Limitações
Segundo Coutinho, o grande objetivo do Irã “sempre foi prover às forças armadas venezuelanas capacidades de reação a um possível ataque dos Estados Unidos.”
No entanto, ele ressalta que os equipamentos russos, chineses e iranianos se mostraram ineficazes no momento de uma eventual extração de Maduro, revelando as limitações do sistema de defesa venezuelano.
“Os Estados Unidos demonstraram uma superioridade bélica e militar infinitamente maior do que a soma desses três sistemas. Não houve capacidade de acionamento. Esses sistemas simplesmente não são acionáveis”, disse.
Relatório da SFS
O Center for a Secure Free Society divulgou um relatório detalhando o alcance das capacidades operacionais iranianas na Venezuela, os riscos imediatos durante um período de transição e a necessidade de disposição política para o desmantelamento dessa estrutura.
“As evidências demonstram que o Irã não se limitou a vender armas para a Venezuela; transferiu tecnologia, estabeleceu instalações de produção e manutenção, incorporou pessoal técnico e exportou sua doutrina de guerra assimétrica. O resultado é uma capacidade autossustentável que sobreviverá ao regime de Maduro, a menos que seja ativamente desmantelada como parte do processo de transição.”, diz trecho.
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