“Dormirei na prisão de cabeça erguida”, diz ex-presidente francês
Nicolas Sarkozy será levado à prisão em 21 de outubro, após ser considerado culpado de conspiração
O ex-presidente francês Nicolas Sarkozy (foto) irá para a prisão em 21 de outubro, após ser considerado culpado de conspiração por ter recebido milhões de euros de fundos ilícitos do falecido ditador líbio Muamar Kadafi.
Sarkozy será o primeiro ex-chefe de Estado francês preso desde o fim da Segunda Guerra Mundial, quando Philippe Pétain colaborou com a Alemanha nazista.
“Dormirei na prisão de cabeça erguida. Sou inocente”, disse o ex-presidente.
Condenação
Em 25 de setembro, a justiça francesa condenou Sarkozy.
O dinheiro proveniente da Líbia teria sido usado para financiar sua campanha eleitoral de 2007, que o levou à Presidência da França, ocupada por ele até 2012.
Segundo a investigação, em troca dos recursos, o ex-presidente prometeu ajudar Kadafi a melhorar sua reputação de pária entre os países ocidentais.
“Uma farsa”
Sarkozy fez um pronunciamento após a proclamação do veredicto.
“Senhoras e senhores, o que aconteceu hoje nesta sala do tribunal correcional de Paris é de uma gravidade extrema para o Estado de direito, para a confiança que se pode ter na Justiça. Mais de 10 anos de investigação, milhões de euros gastos para encontrar um financiamento líbio que o tribunal correcional acaba de dizer que não pôde, e com razão, ser encontrado na minha campanha. O tribunal foi mais longe, ao declarar solenemente que o documento do Mediapart, que deu origem a este processo, era, e cito, ‘uma farsa’”, reclamou.
De acordo com o jornal Mediapart, um documento comprovaria o financiamento de pelo menos 309 milhões de reais à campanha de Sarkozy. O ex-presidente declarou oficialmente apenas 123 milhões de reais.
Um primo de Kadafi chegou a dizer que o processo criminal sobre Sarkozy “era uma punição de Deus”. Ele se referia à mudança de postura do ex-presidente francês, que apoiou a intervenção na Líbia que levaria à deposição e morte de Kadafi, em 2011.
“O ódio, decididamente, não tem limites”
Sarkozy seguiu sua defesa pública:
“Fui levado a este tribunal por quatro crimes. Em três deles, fui absolvido. Nenhum financiamento encontrado, nenhuma corrupção. Sou, portanto, condenado por supostamente ter permitido que dois dos meus colaboradores tivessem a ideia de um financiamento ilegal para a minha campanha. Durante todos estes anos, assumi todas as minhas responsabilidades. Naturalmente, não recusei nenhuma audiência. Fui detido para interrogatório. Fui interrogado, auscultado, examinado de tal forma que a presidente do tribunal disse: ‘Não há nenhum enriquecimento pessoal a lhe ser imputado’. Nenhum financiamento ilegal na minha campanha, nenhum enriquecimento pessoal. E a conclusão que o tribunal tira é que devo passar cinco anos na prisão, e mesmo sabendo o meu endereço, sendo possível reconhecer-me na rua, e tendo eu assumido todas as minhas responsabilidades, o tribunal decreta a execução provisória para me ver dormir na prisão o mais rápido possível. Peço aos franceses, quer tenham votado em mim ou não, quer me apoiem ou não, que avaliem o que acabou de acontecer.”
O ex-presidente finalizou dizendo o seguinte:
“O ódio, decididamente, não tem limites. Assumirei as minhas responsabilidades. Atenderei às convocações da Justiça. E, se eles querem absolutamente que eu durma na prisão, dormirei na prisão. Mas de cabeça erguida. Eu sou inocente. Esta injustiça é um escândalo. Não pedirei desculpa por algo que não fiz. Naturalmente, vou recorrer. Será que terei de comparecer algemado perante o tribunal de recurso? Aqueles que me odeiam a este ponto pensam que estão a me humilhar. O que eles humilharam hoje foi a França. É a imagem da França. E, se alguém traiu os franceses, não fui eu. Foi esta injustiça inacreditável à qual acabam de assistir. Não tenho nenhum espírito de vingança. Não tenho nenhum ódio. Mas que todos compreendam bem e ouçam: lutarei até ao meu último suspiro para provar a minha completa inocência. Muito obrigado.”
Leia mais: Ex-presidente francês é condenado à prisão e protesta: “Farsa”
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Comentários (1)
Luiz Claudio Rezende
13.10.2025 18:52A França não é um país sério.