Crusoé: Os sustentáculos das ditaduras
Nem sempre a queda de um ditador representa o fim de um regime
O avanço dos protestos no Irã, com manifestantes pedindo a morte do líder supremo Ali Khamenei, alimentou esperanças de que os iranianos, enfim, poderiam se ver livres do regime teocrático.
O presidente americano Donald Trump afirmou que “a ajuda” chegará aos iranianos, sem dar mais detalhes.
A insatisfação alcançou vários setores da população, incluindo o dos comerciantes tradicionais — os chamados bazaaris.
Até agora, Khamenei segue no comando do país. Mas o aiatolá está debilititado de saúde e já completou 86 anos.
Sua permanência, portanto, é incerta, o que levantou múltiplas especulações.
Ocorre que nem sempre a queda de um ditador representa o fim de um regime.
Uma eventual captura, morte ou assassinato de Khamenei não necessariamente significaria o colapso da estrutura repressiva do país.
Diferentemente de regimes personalistas, o sistema iraniano é sustentado por uma complexa engrenagem militar.
“Quando cai um líder, a chance de cair todo o regime é muito grande. Mas, como o Irã é uma estrutura muito enraizada, uma mudança é menos provável que em uma ditadura personalista”, afirma Gunther Rudzit, professor de Relações Internacionais da ESPM e coordenador do Núcleo de Estudos e Negócios do Oriente Médio.
Engrenagem
Uma possível queda do regime iraniano teria de passar necessariamente pelo desmantelamento ou mudança de posicionamento da Guarda Revolucionária Iraniana (IRCG).
Criada pelo aiatolá Ruhollah Khomeini após a Revolução Islâmica de 1979, a Guarda tem como missão de neutralizar tentativas de golpe, reprimir opositores e controlar milícias revolucionárias.
Na repressão das últimas três semanas, a Guarda tem atuado com as Forças Armadas e as milícias basij, formadas por civis leais ao regime no controle social.
“Se o problema fosse só os aiatolás, seria mais fácil derrubar o regime. Mas como existe uma engrenagem orgânica do poder, a Guarda Revolucionária, e todo o corpo que o sustenta, não haverá queda de ditadura alguma”, acredita Augusto de Franco, autor do livro Como as democracias nascem.
Oposição sem força
Algumas comparações…
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