Crusoé: O “sequestro forçado de um presidente em exercício”, segundo Amorim
Em artigo publicano na Economist, o assessor especial de Lula condenou a operação americana que resultou na captura do ditador Nicolás Maduro
O assessor especial da Presidência para Assuntos Internacionais, Celso Amorim (foto), chamou a captura do ditador venezuelano Nicolás Maduro de “sequestro forçado de um presidente em exercício” em um artigo publicado na revista The Economist.
Sem mencionar a fraude eleitoral de 2024 nem as acusações de narcoterrorismo atribuídas a Maduro, o ex-chanceler, chefe do Itamaraty paralelo, disse que as imagens da operação militar americana evocam “mais a captura de Saddam Hussein, o falecido líder do Iraque, do que os golpes de Estado das décadas de 1960 e 1970 na América Latina”.
Segundo Amorim, a intervenção militar estrangeira parecia “coisa do passado”.
“Tais intervenções só eram possíveis — ou assim pensávamos — antes da consolidação de instrumentos jurídicos como a Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar, os mecanismos de arbitragem e, claro, a Carta das Nações Unidas, que se baseia no princípio da igualdade soberana dos Estados e proíbe a ameaça ou o uso da força contra a integridade territorial ou a independência política de qualquer Estado”, afirmou.
“A intervenção na Venezuela levanta uma questão mais ampla que define cada vez mais a política internacional: como podemos viver em um mundo sem regras? Pilares do direito internacional concebidos para regular a segurança coletiva, disciplinar o comércio mundial e promover os direitos humanos estão sendo minados simultaneamente”, acrescentou.
“A erosão, uma vez iniciada, é difícil de reverter. Como muitos já disseram, estamos caminhando de volta para um Estado hobbesiano, onde a força militar é o principal determinante da independência de fato de um país e no qual a guerra é vista novamente como um meio legítimo de mudança”, continuou.
Duplo padrão
O artigo de Amorim chama atenção não apenas por tentar colocar Maduro como vítima, mas também por dar muito mais ênfase…
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