Crusoé: O recuo de Trump no Irã
Manifestantes iranianos enfrentam o regime sem o apoio esperado dos EUA. O que fez Trump desistir, por enquanto, de um ataque militar
A estratégia do governo de Donald Trump para o Irã tomou um rumo que frustrou as expectativas de quem esperava uma intervenção direta em favor de quem está nas ruas.
Embora o discurso de Trump tenha incentivado os manifestantes iranianos durante semanas com a promessa de que a ajuda estava a caminho, na prática, o apoio prometido ficou restrito ao campo diplomático e ao sufocamento financeiro.
Os Estados Unidos optaram por uma postura que prioriza o deslocamento de recursos militares para outras frentes estratégicas, deixando claro que não haverá um suporte físico ou tático imediato para derrubar o regime em Teerã.
Essa escolha reflete uma visão de evitar um novo atoleiro no Oriente Médio, mas gera um vácuo perigoso para a oposição local que contava com uma ajuda externa mais incisiva para equilibrar as forças contra a repressão do aiatolá.
Outros países ocidentais também não ofereceram ajuda alguma e, além das manifestações de repúdio à violência, não moveram uma palha em favor dos manifestantes. Mais sobre isso você pode ler no artigo do colega Wilson Pedroso, clicando aqui.
O motivo para essa ausência de apoio militar americano está na análise de órgãos internos como Pentágono e CIA que ataques pontuais não garantem a queda do regime e poderiam escalar para uma guerra regional incontrolável e poderia acabar fortalecendo alas mais duras do sistema iraniano, enfraquecendo justamente os grupos que protestam.
O Irã já havia avisado aos países árabes vizinhos que atacaria instalações americanas em seus países.
De toda a forma, os EUA já iniciaram o deslocamento dos porta-aviões Theodore Roosevelt e da frota que o cercam, do mar do sul da China para o Golfo Pérsico, que estava desguarnecido desde que outro porta-aviões, o Gerald Ford, havia sido redirecionado para o caribe para dar apoio ao ataque na Venezuela.
Com isso, em vez de mísseis, a Casa Branca lançou uma nova rodada de sanções contra o Conselho Supremo de Segurança Nacional e redes de bancos paralelos que sustentam o governo iraniano.
Ao cortar fluxos de capital e restringir o comércio de petróleo por meio de bancos clandestinos, Trump tenta forçar uma mudança pela exaustão financeira, mesmo com a consciência de que esse caminho dificilmente produz mudanças rápidas.
Só que essa tática isola a população, que agora enfrenta um blecaute informativo, com o corte de acesso à internet, e a escassez de recursos sem o suporte logístico necessário para uma mudança estrutural.
Diante dessa realidade…
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