Crusoé: Derrota nas ‘midterms’ faria Trump recuar?
Lucas Martins acredita que possível mudança de controle das Casas dificilmente freará 'modus operandi' do republicano
Em seu primeiro ano de mandato, Donald Trump utilizou tarifas comerciais e ações executivas como principais ferramentas para alcançar seus objetivos de governo.
Suas recentes declarações sobre a Groenlândia reforçam seu estilo peculiar de fazer política, que provoca reações da oposição.
Em 4 de novembro, os americanos vão às urnas para as chamadas ‘midterms’ ou eleições de meio de mandato.
Nelas, todos os 435 assentos da Câmara dos Representantes e um terço do Senado estarão em disputa, podendo mudar o controle das Casas para as mãos dos democratas.
Crusoé conversou com Lucas de Souza Martins, pesquisador da Temple University, na Pensilvânia, que analisa que uma eventual mudança no controle do Congresso dificilmente será suficiente para fazer Trump recuar em suas ambições políticas.
Leia a íntegra da entrevista:
Trump poderia anexar a Groenlândia se quisesse? Quais as limitações internas a Constituição impõe?
Trump não pode anexar a Groenlândia através de uma ordem executiva, não é suficiente para cobrir legalmente falando. Ele precisaria de apoio do Congresso, que poderia aprovar uma autorização para anexar. Mas isso, logicamente, afetaria e iria contra normas do direito internacional.
O interessante é que a Constituição americana não prevê nenhum tópico nesse sentido, de impedir que se trate de aquisição de novos territórios estrangeiros. Não há nada na Constituição sobre proibição.
Então, teoricamente o Congresso poderia autorizar o presidente, embora isso esbarre em normas de direito internacional. Mas, dentro das regras internas americanas, Trump deveria ter apoio do Congresso para fazer uma anexação.
O que costuma contar nas eleições ‘midterms’? Os americanos sempre votam contra o presidente?
Nas eleições de meio de mandato, você tem a renovação completa da Câmara dos Representantes, considerando que, aqui nos EUA, eles têm dois anos de mandato. Todas as cadeiras serão alvo de renovação ou não, isso configura uma possibilidade completa. No Senado, 35 cadeiras estarão em jogo, o que mostra a maioria pode mudar.
Hoje, as duas Casas possuem maioria republicana. Tradicionalmente, pelo menos nos últimos 80 anos, a tendência é que a oposição tenha mais sucesso, especialmente se o presidente tiver uma aprovação abaixo de 50% como é o caso de Trump.
Isso não significa que, perder as eleições de meio de mandato, o partido ou o presidente vá enfrentar riscos de perder a Casa Branca na eleição seguinte. Os casos mais emblemáticos foram Ronald Reagan e Barack Obama que asseguraram suas reeleições.
Trump já falou sobre sofrer impeachment caso perca as midterms. É bravata?
Difícil falar de impeachment nos conceitos brasileiros. Quando você fala nos Estados Unidos, quer dizer que o presidente…
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