Crusoé: CIA tenta recrutar militares chineses
Agência americana usa vídeos e mensagens em mandarim para atrair militares do governo chinês e tentar reconstruir rede de espiões
A CIA passou a mirar abertamente oficiais do Exército chinês depois de meses de mudanças internas em Pequim. A agência aposta que a troca de comandantes e investigações por corrupção abriu uma rara janela para obter informações de dentro das Forças Armadas do país, que rivaliza com os Estados Unidos.
Para isso, a agência divulgou um vídeo em mandarim, nessa semana, com uma narrativa curta e direta, com um narrador anônimo descrevendo a rotina de um funcionário estatal sob pressão política.
As cenas mostram um personagem que teme ser responsabilizado por decisões superiores e se sente vulnerável a investigações internas.
Em seguida surgem instruções objetivas sobre como fazer contato seguro pela internet, com orientação para uso de redes anônimas e canais criptografados.
A mensagem central promete confidencialidade e afirma que colaborar pode proteger o próprio futuro e o da família. A iniciativa é vista como uma campanha ativa de recrutamento.
O foco dessa iniciativa são os integrantes da Força de Foguetes, responsável por mísseis nucleares e convencionais. O setor sofreu uma série de demissões em 2023 e 2024, incluindo generais próximos ao presidente Xi Jinping.
As substituições ocorreram após suspeitas de fraude em contratos e problemas de confiabilidade operacional. A CIA avalia que momentos de instabilidade interna aumentam a chance de cooptação de militares descontentes.
A agência ampliou ações digitais em mandarim, com vídeos e mensagens direcionadas a funcionários do governo chinês. O objetivo é reduzir o medo de vigilância estatal, considerada uma das principais barreiras para recrutamento na China.
Washington tenta reconstruir sua capacidade de coleta humana no país asiático. Nos anos 2010, uma rede de informantes foi desmontada depois que autoridades chinesas identificaram agentes infiltrados. Desde então, os Estados Unidos dependem mais de satélites e interceptações eletrônicas, que não substituem fontes internas em decisões militares…
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