Crusoé: Chefe de contraterrorismo dos EUA renuncia por se opor à guerra contra o Irã
Para Joe Kent, é evidente que o país entrou no conflito "devido à pressão de Israel"
O chefe do setor de contraterrorismo dos Estados Unidos, Joe Kent, apresentou nesta terça-feira, 17, sua carta de renúncia ao cargo.
Ele deixou o cargo por não poder, “em sã consciência”, apoiar a guerra contra o Irã, dizendo ser evidente que o país entrou no conflito “devido à pressão de Israel e de seu poderoso lobby americano”.
“Após muita reflexão, decidi renunciar ao meu cargo de diretor do Centro Nacional de Contraterrorismo, com efeito a partir de hoje.
Não posso, em sã consciência, apoiar a guerra em curso no Irã. O Irã não representava nenhuma ameaça iminente à nossa nação, e é evidente que iniciamos essa guerra devido à pressão de Israel e de seu poderoso lobby americano.
[…]No início deste governo, altos funcionários israelenses e membros influentes da mídia americana lançaram uma campanha de desinformação que minou completamente a sua plataforma ‘América Primeiro’ e semeou sentimentos pró-guerra para incentivar um conflito com o Irã. Essa câmara de eco foi usada para enganá-los, fazendo-os acreditar que o Irã representava uma ameaça iminente aos Estados Unidos e que, se atacássemos agora, haveria um caminho claro para uma vitória rápida. Isso foi uma mentira e é a mesma tática que os israelenses usaram para nos arrastar para a desastrosa guerra do Iraque, que custou à nossa nação a vida de milhares de nossos melhores homens e mulheres. Não podemos cometer esse erro novamente.
[…] Rezo para que vocês reflitam sobre o que estamos fazendo no Irã e para quem estamos fazendo isso. A hora de agir com ousadia é agora. Vocês podem reverter o curso e traçar um novo caminho para nossa nação, ou podem nos permitir que afundemos ainda mais rumo ao declínio e ao caos. As cartas estão em suas mãos”, concluiu.
A resposta da Casa Branca
A secretária de imprensa da Casa Branca, Karoline Leavitt, rebateu no X o que, segundo ela, são “informações falsas” na carta, referindo-se à alegação de que o Irã não representava uma ameaça iminente aos EUA.
“Como o Presidente Trump afirmou de forma clara e explícita, ele tinha provas fortes e convincentes de que o Irã atacaria os Estados Unidos primeiro.
Essas evidências foram compiladas a partir de diversas fontes e fatores. O presidente Trump jamais tomaria a decisão de mobilizar recursos militares contra um adversário estrangeiro sem qualquer análise prévia.
O Irã é o principal patrocinador estatal do terrorismo no mundo…
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