Como um "erro" de 100 mil euros revelou uma obra de arte escondida

15.01.2026

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Como um “erro” de 100 mil euros revelou uma obra de arte escondida

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Redação O Antagonista
4 minutos de leitura 14.01.2026 19:23 comentários
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Como um “erro” de 100 mil euros revelou uma obra de arte escondida

Em 2023, um comerciante belga comprou em um leilão online um retrato anônimo por cerca de 100 mil euros

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Como um “erro” de 100 mil euros revelou uma obra de arte escondida
Como um "erro" de 100 mil euros revelou uma obra de arte escondida - Divulgação / Klaas Muller / Brafa Art Fair

Em 2023, um comerciante belga comprou em um leilão online um retrato anônimo por cerca de 100 mil euros e, após análises especializadas, a obra foi autenticada como um estudo de cabeça do pintor flamengo Pedro Paulo Rubens, contendo duas figuras sobrepostas na mesma tela.

Por que a descoberta desse possível Rubens em leilão online é tão relevante

A presença de um quadro relacionado a Rubens em um leilão digital chama atenção porque obras do mestre barroco costumam circular em grandes casas de leilão presenciais e em negociações privadas de alto valor.

A identificação de um Rubens autêntico amplia o catálogo do artista, afeta o mercado de arte e oferece novos dados para o estudo da pintura flamenga do século XVII.

No caso em questão, o comerciante reconheceu semelhanças estilísticas com Rubens ao ver o retrato de um ancião de barba espessa.

Mesmo anônima, a tela apresentava qualidade técnica e estilo compatíveis com o mestre, o que justificou o investimento inicial elevado em um ambiente online.

Como é o estudo de cabeça atribuído a Rubens e por que há duas figuras

O quadro foi identificado como um estudo de cabeça, tipo de obra em que Rubens explorava expressões, iluminação e anatomia de rostos para uso posterior em grandes composições religiosas ou históricas.

Esses estudos eram, em geral, ferramentas internas de ateliê, e não peças pensadas para o mercado.

Nesta tela específica, há o rosto de um homem idoso e, sob ele, o de uma mulher com tranças, visível quando o quadro é invertido ou observado com atenção.

A sobreposição resulta da reutilização de tela, prática comum no período, em que o artista aproveitava suportes já pintados para novos exercícios.

Quais eram as práticas de reutilização de telas na época de Rubens

Rubens e outros pintores do século XVII frequentemente reaproveitavam suportes por economia de material e agilidade de trabalho.

Imagens anteriores podiam ser parcialmente cobertas, adaptadas ou totalmente sobrepintas, criando composições complexas sob a superfície visível.

Nesse estudo de cabeça, a barba do ancião funciona quase como um disfarce que encobre o rosto feminino subjacente.

Essa solução visual não indica um truque intencional, mas um resultado da prática de pintar sobre exercícios anteriores dentro do ateliê.

Como foi realizado o processo de autenticação da obra

Após a compra, o quadro passou por um rigoroso processo de autenticação conduzido por especialistas em arte flamenga, incluindo Ben van Beneden, ex-diretor da Casa Rubens em Antuérpia.

Durante meses, foram combinadas análises técnicas de laboratório e estudos comparativos com obras consagradas do artista.

Como um "erro" de 100 mil euros revelou uma obra de arte escondida
Como um “erro” de 100 mil euros revelou uma obra de arte escondida – Créditos: depositphotos.com / YAY_Images

Esses procedimentos buscaram comprovar a autoria rubensiana, relacionando elementos formais, materiais e iconográficos. Entre as principais etapas do processo, destacam-se:

  • Análise do estilo, das pinceladas e do uso de luz e sombra em comparação com outras pinturas de Rubens.
  • Exames em infravermelho, radiografias e estudo de pigmentos para verificar idade do suporte e camadas de tinta.
  • Comparação das fisionomias com figuras em cenas bíblicas e históricas do artista, sugerindo uso do mesmo modelo.
  • Parecer final de especialistas internacionais, que reconheceram o estudo de cabeça como autêntico.

Qual é o impacto financeiro e histórico desse novo estudo de cabeça

Com a autenticação, a obra passou de um investimento arriscado de cerca de 100 mil euros para um quadro de Rubens com potencial de alcançar valores muitas vezes superiores em leilões ou vendas privadas.

Fatores como conservação, raridade do tema e interesse de colecionadores influenciam diretamente essa valorização.

Do ponto de vista histórico, o estudo de cabeça acrescenta uma nova peça ao conjunto conhecido de trabalhos preparatórios de Rubens.

Ele enriquece o entendimento sobre seus modelos, suas escolhas de expressão e as dinâmicas de reutilização de suportes em seu ateliê no século XVII.

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